
Damasco, 20 fev 2023 (Lusa) — Mais de 130 pessoas ficaram feridas em áreas ocupadas pelos rebeldes no noroeste da SÃria, devido aos terramotos de magnitude 6,4 e 5,8 registados hoje na Turquia, duas semanas após o devastador sismo que matou milhares nos dois paÃses.
Os abalos causaram ferimentos de várias gravidades e provocaram alguns deslizamentos de terras em áreas controladas pela oposição nas provÃncias de Idlib e Aleppo, no noroeste, adiantaram os socorristas das zonas rebeldes na SÃria, os Capacetes Brancos.
“As nossas equipas estão a trabalhar para transferir os feridos para hospitais, inspecionar as áreas afetadas e limpar os escombros para reabrir as estradas para pedestres e ambulâncias”, explicaram os socorristas.
Até agora, nenhuma nova vÃtima foi relatada nas áreas controladas pelo Governo do Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, várias das quais foram severamente atingidas pelo terremoto de 06 de fevereiro.
O serviço de emergência nacional turco (Afad), localizou o epicentro do terremoto mais forte, de magnitude 6,4, no distrito de Defne, a sul da cidade de Antaquia, e registou uma segunda réplica, de magnitude 5,8, com epicentro em Samandag, ambas localidades na Turquia.
O abalo mais forte foi sentido na SÃria, Jordânia, Chipre, Israel e até no Egito, noticiou a agência Associated Press (AP).
O alerta inicial de tsunami, devido à proximidade do epicentro à costa mediterrânica, foi cancelado pouco depois pelas autoridades turcas.
O ministro do Interior turco, Suleyman Soylu, adiantou que três pessoas morreram e 213 ficaram feridas.
Refik Eryilmaz, autarca de Samandag, a cidade costeira próxima onde ocorreu o segundo terremoto de hoje, referiu à estação NTV que vários prédios desabaram e não se sabia se tinha pessoas dentro.
A mesma fonte acrescentou que alguns moradores tinham-se refugiado do frio intenso nos restos de edifÃcios danificados pelos terramotos de há duas semanas, e pediu desesperadamente o envio de tendas para alojar a população.
De acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP), o abalo foi sentido com muita violência em Antaquia e Adana e provocou o pânico entre a população já fortemente atingida pela recente tragédia, levantando ainda grandes nuvens de poeira na cidade em ruÃnas.
Ahmet Ovgun Ercan, prestigiado geofÃsico da Universidade Técnica de Istambul, assegurou à estação HalkTV que este terremoto, que estimou de 17 segundos de duração, é um fenómeno normal e antecipou que alguns edifÃcios já danificados terão desabado.
Desde o terramoto de 06 de fevereiro, praticamente nenhum dos edifÃcios de Antaquia está habitável, mas há equipas de trabalho de remoção de entulho que podem ter ficado retidas devido a desabamentos.
Além disso, muitos sobreviventes têm o hábito de se reunir em torno de fogueiras em frente a edifÃcios desmoronados para ajudar na identificação de corpos e podem estar em risco se um edifÃcio sobrevivente vizinho tiver desabado.
“Foi terrÃvel, janelas partidas caÃram sobre nós. Todos deixaram as lojas em pânico. Com a escuridão ainda não dá para ver o que aconteceu”, realçou Ugur Sahin, repórter do jornal BirGün, à Efe por telefone.
Mais de 44.000 pessoas morreram na Turquia e na SÃria na sequência de fortes abalos sÃsmicos no dia 06: ao terramoto de magnitude 7,8 na escala de Richter – com epicentro em território turco — seguiram-se várias réplicas, uma das quais de magnitude 7,5.
Na sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aumentou para 84,5 milhões de dólares (79 milhões de euros) o pedido internacional de ajuda financeira destinado à s vÃtimas destes sismos.
Segundo o Afad, mais de 6.000 tremores secundários foram registados desde os terremotos que devastaram o sul da Turquia e a SÃria.
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