
Lisboa, 26 jun 2025 (Lusa) – Mais de uma centena de trabalhadores do comércio juntaram-se hoje frente à Assembleia da República para defender o encerramento das superfÃcies comerciais aos domingos e feriados e a redução do perÃodo de funcionamento até à s 22:00.
A ação de vigÃlia, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), ocorre no mesmo dia em que está previsto na Assembleia da República o debate de um projeto de lei, de iniciativa cidadã, que pede o encerramento do comércio aos domingos e feriados e a limitação dos horários à s 22:00.
Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, disse que do programa de Governo constam “mais medidas de ataque aos direitos dos trabalhadores, mais medidas de penalização para aqueles que trabalham e mais medidas de favorecimento à s grandes empresas e aos grandes grupos económicos”.
O lÃder sindical acrescentou ainda ser necessária uma “inversão de polÃticas” afirmando que “não é este Governo que as vai fazer”.
Tiago Oliveira avançou também que o programa de Governo prevê “maior precariedade, perpetuação de baixos salários e perpetuação de polÃticas de favorecimento do grande capital”, ao que disse que a CGTP irá “dar combate à quilo que são as pretensões e as reivindicações dos trabalhadores”.
De acordo com o secretário-geral da CGTP, desde 2010 aumentou o número de grandes superfÃcies comerciais porém diminuiu o número de trabalhadores.
“Nenhum capitalista, nenhuma empresa se preocupa com o número de trabalhadores que tem, têm aquele número de trabalhadores exatamente necessários para a sua função”, acrescentou.
Questionado sobre um próximo passo caso se verifique a concretização do encerramento aos domingos, nomeadamente um eventual encerramento aos sábados, Tiago Oliveira remeteu para revindicação central que se encontra em cima da mesa, sendo essa o encerramento das superfÃcies comerciais aos domingos e feriados e uma laboração máxima até à s 22:00 horas.
Também presente na concentração, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, teceu alguns comentários e disse, em declarações à Lusa, “é justa esta reivindicação e isso é que conta”.
O dirigente comunista lembrou também que existem profissões à s quais não é possÃvel cessar a laboração ao fim de semana, nomeadamente os serviços de emergência médica e os profissionais de saúde no geral, porém ressalvou que no caso das superfÃcies comerciais “não se justifica”.
Paulo Raimundo constatou então que não é justo ter “quase dois milhões de trabalhadores no paÃs que trabalham ao sábado e ao domingo” e afirmou que estes “merecem condições de trabalho, merecem estabilidade e não a precariedade e merecem tempo para viver”.
“O paÃs já funcionou com as superfÃcies fechadas ao fim de semana, já funcionou com as superfÃcies fechadas ao domingo, depois já funcionou com as superfÃcies abertas até a hora do almoço de domingo, é preciso retornar isso pela vida”, disse o secretário-geral do PCP.
“O que nós propomos é que as grandes superfÃcies tenham uma elaboração de 72 horas semanais, a difusão desta realidade, que se possa, no fundo, abrir entre segunda e sábado”, acrescentou.
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