
Surin, Tailândia, 25 jul 2025 (Lusa) – Mais de 100 mil civis foram retirados pela Tailândia da área fronteiriça com o Camboja, palco de combates que causaram pelo menos 14 mortos, anunciou hoje Banguecoque.
O Ministério do Interior tailandês informou que 100.672 civis de quatro provÃncias fronteiriças foram transferidos para cerca de 300 centros de acolhimento.
O Ministério da Saúde anunciou, por sua vez, que o número de mortos causados pelos ataques da artilharia cambojana subiu para 14 – 13 civis e um militar. Um balanço anterior do exército tailandês dava conta de nove vÃtimas mortais.
“Há atualmente confrontos em várias zonas fronteiriças. Pede-se à s pessoas que evitem as zonas fronteiriças”, declarou, esta manhã à s 08:10 (02:10 em Lisboa), a Segunda Região do exército tailandês – uma divisão destacada no nordeste do paÃs.
Na cidade cambojana de Samraong, a 20 quilómetros da fronteira, jornalistas da agência France-Presse (AFP) ouviram esta manhã tiros de artilharia distantes e viram algumas famÃlias a fugir.
Os jornalistas da AFP também observaram soldados a correrem em direção a lança-foguetes e a partirem em direção à fronteira.
Os confrontos, de uma intensidade rara, eclodiram na quinta-feira, na fronteira entre os dois paÃses, com troca de tiros, granadas e foguetes.
Os combates concentram-se em torno de seis locais, informou o exército tailandês.
Banguecoque enviou, na quinta-feira, seis aviões F-16 para atacar “dois alvos militares cambojanos no solo”, disse o porta-voz adjunto das forças armadas do paÃs, Ritcha Suksuwanon.
O Camboja não fez qualquer balanço até ao momento. Durante uma conferência de imprensa, a porta-voz do Ministério da Defesa do paÃs, Maly Socheata, recusou-se a responder a uma pergunta sobre possÃveis vÃtimas.
De acordo com Banguecoque, oito civis morreram na provÃncia de Sisaket, nordeste tailandês, onde um ataque com foguetes atingiu uma loja de conveniência perto de um posto de gasolina.
Uma criança de oito anos morreu na provÃncia de Surin (também nordeste). Na mesma região, projéteis atingiram um hospital com cerca de trinta camas em Phanom Dong Rak, perto da fronteira, provocando o colapso parcial do telhado.
Uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU está marcada para hoje às 15:00 (20:00 em Lisboa).
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, que ocupa a presidência rotativa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e dialogou com os dois paÃses, pediu moderação.
O Camboja e a Tailândia estão em conflito há muito tempo sobre o traçado da fronteira de mais de 800 quilómetros, definida em grande parte por acordos celebrados durante a ocupação francesa da chamada Indochina, entre final do século XIX e meados do século XX.
Em 2011, confrontos em torno do templo Preah Vihear, classificado como património mundial pela Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e reivindicado por ambos os paÃses, causaram pelo menos 28 mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Embora em 2013, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), principal órgão jurisdicional da ONU, tenha atribuÃdo ao Camboja a zona contestada abaixo do templo, o traçado de outras zonas continua a opor Banguecoque e Phnom Penh.
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