
Tripoli, 23 fev 2021 (Lusa) — Um total de 1.315 migrantes foram intercetados ao largo das costas da LÃbia e reenviados durante a última semana para aquele paÃs, que não é considerado um porto seguro, informou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Desde o inÃcio deste ano, cerca de 3.000 migrantes já tentaram sair do território lÃbio a bordo de embarcações precárias e foram intercetados por patrulhas marÃtimas locais, segundo os dados da OIM, agência que integra o sistema das Nações Unidas.
A LÃbia faz parte da chamada rota migratória do Mediterrâneo Central, encarada como uma das mais mortais, que sai igualmente a partir da Argélia e da TunÃsia em direção à Itália e a Malta.
O paÃs tornou-se nos últimos anos uma placa giratória para centenas de milhares de migrantes, sobretudo africanos e árabes que tentam fugir de conflitos, violência e da pobreza, que procuram alcançar a Europa através do mar Mediterrâneo.
A OIM especificou que o maior grupo de migrantes, um total de 340 pessoas, foi intercetado na passada sexta-feira, dia 19 de fevereiro.
Estas pessoas foram intercetadas ao largo da capital do paÃs, Tripoli, quando tentavam a travessia do Mediterrâneo a bordo de várias embarcações e foram reencaminhadas para o porto local.
Já no porto lÃbio, a OIM prestou os primeiros cuidados médicos aos migrantes, que foram posteriormente transferidos para os chamados centros de detenção migratórios.
Várias organizações humanitárias que trabalham no terreno fazem denúncias frequentes sobre as condições desumanas destes centros e as violações dos direitos das pessoas que são transferidas e mantidas nestes locais.
As organizações também apontam crÃticas aos métodos da Guarda Costeira lÃbia, força treinada e apoiada nos últimos anos pela União Europeia (UE) numa tentativa para conter a saÃda de migrantes em direção à Europa.
Esta força lÃbia é suspeita de ter ligações com redes organizadas de tráfico ilegal de migrantes, que encontraram na LÃbia um mercado lucrativo devido à situação do paÃs, imerso num caos polÃtico e securitário.
Na semana passada, a OIM instou a UE e os 27 Estados-membros do bloco europeu a avançarem com medidas urgentes para conter as devoluções, as expulsões coletivas e o uso da violência contra migrantes e refugiados, incluindo crianças, tanto fora do território comunitário como dentro das suas fronteiras marÃtimas.
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