Mais 2.500 edifícios demolidos em Gaza desde o cessar-fogo

Jerusalém, Israel, 12 jan 2026 (Lusa) – Israel demoliu mais de 2.500 edifícios na Faixa de Gaza desde o cessar-fogo de 10 de outubro, de acordo com imagens de satélite, noticiou hoje o diário The New York Times.

A investigação do jornal norte-americano mostra que o Exército israelita demoliu edifícios não só em zonas da Faixa de Gaza situadas dentro da chamada “linha amarela” — o ponto para o qual as tropas israelitas retiraram, no âmbito do acordo de cessar-fogo —, mas também no resto do enclave, mesmo a mais de 200 metros desta nova fronteira, onde os habitantes de Gaza vivem sob o controlo do movimento islamita palestiniano Hamas.

Essas demolições são visíveis nas imagens de satélite analisadas, que mostram como edifícios que estavam intactos logo após a entrada em vigor da trégua, em bairros fora da “linha amarela”, se encontram agora reduzidos a escombros.

A verdade é que órgãos de comunicação social palestinianos e locais têm, nos últimos três meses de trégua, vindo a divulgar vídeos de demolições praticamente diárias de prédios residenciais em diversos pontos da Faixa de Gaza.

Uma avaliação da ONU indicava já que, a 11 de outubro de 2025, mais de 80% das estruturas de Gaza estavam danificadas ou destruídas por dois anos de bombardeamentos israelitas, iniciados a 07 de outubro de 2023, em retaliação a um ataque de dimensões sem precedentes do Hamas em território israelita.

A versão do Governo de Benjamin Netanyahu é que estas demolições foram realizadas em túneis subterrâneos utilizados pelo Hamas e pela Jihad Islâmica, e em edifícios residenciais armadilhados com explosivos, com o objetivo de desmilitarizar o enclave.

Para o Hamas, estas demolições constituem uma violação do acordo de cessar-fogo de 20 pontos, mediado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e assinado por Israel.

“O acordo é claro. Destruir casas e propriedades não é permitido. São ações hostis”, declarou recentemente Hussam Badran, um responsável do Hamas no Qatar, à estação televisiva Al-Jazeera.

O terceiro ponto do plano refere: “Todas as operações militares, incluindo bombardeamentos aéreos e de artilharia, serão suspensas, e as linhas de batalha permanecerão congeladas até que se cumpram as condições para uma retirada completa por etapas”.

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