
Caracas, 04 dez 2025 (Lusa) — O Presidente venezuelano confirmou ter tido uma conversa “cordial” com o homólogo norte-americano, num contexto de tensões decorrentes da deslocação de tropas dos EUA para a região das CaraÃbas e da crise do espaço aéreo venezuelano.
A Casa Branca entrou em contacto com o palácio presidencial de Miraflores, sede do Governo venezuelano, em Caracas, há “aproximadamente dez dias”, disse na quarta-feira Nicolás Maduro, mas sem especificar o dia.
Embora não tenha dado detalhes sobre o que foi discutido, o lÃder venezuelano garantiu que a conversa foi “cordial” e desenvolveu-se num “tom de respeito”, e Maduro disse esperar que isso represente um passo “em direção a um diálogo respeitoso” entre os dois paÃses, sem relações diplomáticas desde 2019.
O Presidente dos Estados Unidos havia já confirmado, no domingo passado, a conversa, sobre a qual não quis dar detalhes.
Maduro explicou que não se referiu ao assunto até hoje por “prudência” e porque há questões que, na sua opinião, devem permanecer em silêncio “até que aconteçam”.
Além disso, insistiu que o caminho entre a Venezuela e os EUA deve ser “de respeito, diplomacia e diálogo”.
Por sua vez, Trump disse esta quarta-feira que as operações militares em torno da Venezuela vão “muito além” de uma campanha de pressão contra Maduro e insistiu que “em breve” poderão começar operações em terra semelhantes à s que têm sido realizadas em águas internacionais contra barcos, supostamente carregados de drogas.
Segundo o Pentágono, os Estados Unidos realizaram 21 bombardeamentos contra embarcações alegadamente ligadas ao narcotráfico, nos quais morreram, pelo menos, 82 pessoas no sul do Mar das CaraÃbas e no PacÃfico oriental.
Enquanto Washington acusa Maduro de liderar uma “organização terrorista” chamada Cartel dos Sóis, Caracas denuncia que os Estados Unidos procura uma “mudança de regime” para derrubar o chavismo, no poder desde 1999.
Apesar das crescentes tensões entre Caracas e Washington, os dois governos coordenaram mais um voo para a Venezuela esta quarta-feira, com 266 deportados a bordo de um avião da companhia aérea norte-americana Eastern Airlines, proveniente de Phoenix, Arizona.
Trata-se, segundo o Executivo venezuelano, do 76.º voo este ano proveniente dos Estados Unidos, enquadrado por um acordo migratório assinado em janeiro.
Desde então, 14.407 migrantes retornaram à Venezuela provenientes dos Estados Unidos, o que representa 78% do total de repatriados recebidos pelo paÃs, de acordo com dados oficiais.
Antes da chegada do avião norte-americano, a Venezuela recebeu um grupo de 304 migrantes do México, num voo operado pela companhia aérea estatal Conviasa.
Esses 570 venezuelanos que, no total, regressaram durante o dia ao paÃs sul-americano foram recebidos no Aeroporto Internacional Simón BolÃvar de MaiquetÃa, que serve Caracas, por uma delegação do Governo liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, que garantiu que o paÃs continua “em paz” e “exercendo a soberania do seu espaço aéreo”.
As conexões aéreas da Venezuela estão limitadas por cancelamentos temporários de voos após um aviso dos Estados Unidos à s companhias aéreas para tomarem “extrema cautela” ao sobrevoarem o paÃs petrolÃfero e o sul das CaraÃbas, considerando que a zona vive “uma situação potencialmente perigosa”.
Perante uma onda de cancelamentos de voos, a Venezuela revogou as concessões de operação de oito companhias aéreas internacionais, incluindo a TAP.
No sábado, Trump advertiu os pilotos e as companhias aéreas que considerem o espaço aéreo venezuelano e seus arredores “fechados”.
Não obstante tudo isto, Gil afirmou esta quarta-feira que “não há força” que “retire a soberania” da Venezuela sobre o seu espaço aéreo e afirmou que as operações no principal aeroporto continuam a decorrer “normalmente”, recebendo, segundo o ministro, companhias aéreas de paÃses como a Colômbia e o Panamá.
Além disso, acrescentou o chefe da diplomacia de Caracas, “os repatriados continuam a chegar”. “Continuamos a fazer o nosso trabalho, o Presidente Nicolás Maduro Moros está em Miraflores”, acrescentou.
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