
Macau, China, 18 mar 2026 (Lusa) – A comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China em Macau sublinhou hoje que, como centro internacional de cooperação, a cidade deve permanecer “aberta ao talento estrangeiro”.
Durante uma sessão de esclarecimento sobre o 15.º Plano Quinquenal do país e o seu impacto no desenvolvimento de Macau, Bian Lixin destacou que serão “reforçadas medidas de facilitação de vistos e de mobilidade transfronteiriça para atrair profissionais altamente qualificados”.
Estas incluem ações preferenciais que facilitem a circulação transfronteiriça de cidadãos estrangeiros entre Macau e Hengqin (Ilha da Montanha) e políticas de facilitação de vistos para cidadãos estrangeiros com residência permanente em Macau que viajem para o continente, apoiando a construção do território como um “centro internacional de talentos de alto nível”.
O Governo central chinês estabeleceu a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin como uma área económica especial destinada a apoiar a diversificação da economia de Macau e complementar vários serviços essenciais para os residentes da cidade.
Macau estabeleceu em julho de 2023 um programa de captação de quadros qualificados do setor financeiro e das áreas de investigação e desenvolvimento científico e tecnológico, entre eles detentores do Prémio Nobel. O programa prevê, entre outras vantagens, benefícios fiscais.
No final de outubro, o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Talentos disse que Macau aprovou 464 das mais de mil candidaturas ao programa. A esmagadora maioria dos quadros é da China continental (80%) e de Hong Kong (10%), sendo que 47% tem “experiência de trabalho ou de estudo no estrangeiro”.
No entanto, a residência em Macau para cidadãos portugueses tornou-se mais restrita desde agosto de 2023, sendo agora tratados como outros estrangeiros, focando-se no reagrupamento familiar ou competências técnicas muito específicas. A autorização de residência permanente requer, geralmente, sete anos de residência habitual.
Segundo a comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Macau, o seu gabinete alinhará esforços diplomáticos para assegurar que a estratégia de desenvolvimento local se articule com as prioridades nacionais.
Ao mesmo tempo, Bian destacou que Macau tem de “potenciar a sua diplomacia”, aproveitando os laços com países de língua portuguesa e espanhola para aprofundar a cooperação no âmbito da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e ampliar os intercâmbios com a Eurásia e o Sudeste Asiático.
O governo de Macau confirmou na terça-feira que o chefe do Executivo, Sam Hou Fai, vai visitar Portugal e Espanha entre 17 e 23 de abril.
Sam Hou Fai, que tomou posse em dezembro de 2024, apontou como prioridade a promoção dos serviços financeiros e comerciais entre a China e os países hispânicos, como complemento do papel de plataforma sino-lusófona atribuída pelo Governo da China a Macau.
O 15.º Plano Quinquenal (2026-2030) para o desenvolvimento da China foi aprovado este mês por Pequim e centra-se em “novas forças produtivas de qualidade”, alta tecnologia, autonomia tecnológica e reforço do consumo interno. O plano estabelece como objetivo um crescimento económico moderado, com metas de Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5%.
O chefe do Executivo confirmou que os planos de desenvolvimento de Macau serão alinhado com o plano nacional, prometendo “reformas ousadas”.
A mesmo tempo, a diversificação económica de Macau para além da indústria do jogo será uma prioridade, com o território a expandir a sua competitividade em áreas como a medicina tradicional chinesa, os serviços financeiros modernos, as indústrias de alta tecnologia e o setor de reuniões, incentivos, conferências e exposições.
O PIB de Macau em 2025 cresceu 4,7%, atingindo 418 mil milhões de patacas (45 mil milhões de euros), impulsionado principalmente pela recuperação do setor do jogo e turismo, que representaram mais de metade do total da economia local.
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