
Macau, China, 02 fev 2026 (Lusa) — As empresas e famílias da região semiautónoma chinesa de Macau contrataram 1.100 trabalhadores migrantes em 2025, segundo dados oficiais hoje divulgados.
De acordo com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, no final de dezembro, Macau tinha 183.679 trabalhadores sem estatuto de residente, mais 1.137 do que no fim de 2024.
A mão-de-obra vinda do exterior, incluindo da China continental, está no valor mais elevado desde junho de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Desde o pico máximo de 196.538, atingido no final de 2019, antes da pandemia, e até janeiro de 2023, a cidade perdeu quase 45 mil não-residentes, que correspondiam a 11,3% da população ativa.
Em janeiro de 2023, quando acabou o fim da política ‘zero covid’, que esteve em vigor em Macau e na China continental durante quase mais de três anos, Macau tinha menos de 152 mil migrantes, o número mais baixo desde abril de 2014.
As estatísticas, divulgadas pela Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais, revelam que, desde o fim da política ‘zero covid’, o número de trabalhadores não-residentes aumentou em 31.801.
A principal razão para o crescimento da mão-de-obra migrante em 2025 foram os empregados domésticos, cujo número ultrapassou 28.611 no final de dezembro, o valor mais elevado desde março de 2021.
Em todo o ano passado, as famílias de Macau contrataram mais 1.176 empregados domésticos.
Em 01 de janeiro, o Governo local aumentou o salário mínimo em 2,9% – 211,4 patacas (23 euros), para 7.280 patacas (785 euros) mensais – mas voltou a excluir os empregados domésticos.
Em 04 de novembro, o diretor dos Serviços para os Assuntos do Trabalho (DSAL), Chan Un Tong, justificou a decisão com a “‘natureza única’ do trabalho doméstico e a necessidade de o trabalhador se ‘integrar’ na vida familiar do empregador”.
Atualmente, para novos contratos de trabalhadores domésticos, assinados a partir de julho de 2024, a remuneração mínima fixada pela DSAL é de 3.200 patacas (345 euros).
Chan referiu que o salário mediano para estas contratações ronda as 3.800 patacas (410 euros).
A partir de agosto, a DSAL passou a apresentar de forma separada as estatísticas para os empregados domésticos dos restantes trabalhadores migrantes, não os incluindo na soma total da mão de obra não residente.
Em paralelo com a subida do número de trabalhadores não-residentes, a taxa de desemprego aumentou, pela primeira vez em seis meses, para 1,8%, entre outubro e dezembro, após o encerramento de dez ‘casinos-satélite’.
Ainda assim, ao longo do ano passado vários deputados pediram ao Governo que obrigue as seis concessionárias de jogo a despedir parte da mão-de-obra vinda do exterior, para garantir o emprego dos 5.600 locais que trabalhavam nos ‘casinos-satélite’.
Os ‘casinos-satélite’ são geridos por outras empresas, sendo uma herança da administração portuguesa, que já existia antes da liberalização do jogo, em 2002.
As atividades culturais e recreativas e lotarias (categoria que inclui os casinos), empregava 11.446 trabalhadores migrantes no final de 2025, mais 74 do que em dezembro de 2024.
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