Lula rebate Flávio e diz que não se justifica aumento de tarifas dos EUA após eleições no Brasil

Brasília, 2 jul 2026 (Lusa) — O presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou hoje a carta de Flávio Bolsonaro enviada aos Estados Unidos, ocasião em que o senador alegou que a aplicação de novas tarifas ao Brasil ajudaria politicamente o esquerdista.

“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreveu Lula nas redes sociais.

O senador bolsonarista comunicou a sua posição na quarta-feira ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após o órgão concluir uma investigação que poderá resultar na imposição de tarifas adicionais de 25% a produtos brasileiros.

No documento de 86 páginas, Flávio Bolsonaro e principal adversário de Lula nas eleições gerais de outubro escreveu que “as tarifas propostas recompensariam o atual Governo brasileiro” e defendeu a suspensão do tema para daqui 180 dias.

Para Lula, essa sugestão de Flávio é injustificável e voltou a chamar o senador de traidor da pátria.

“Pedir que o tarifaço (aumento de tarifa) contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, escreveu

“O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros”, realçou Lula.

O chefe do Executivo brasileiro também criticou a posição do adversário bolsonarista, que no documento enviado a USTR escreveu que o Brasil deve buscar formas de “se libertar das amarras do Mercosul” para negociar diretamente com os EUA.

Para Lula, “defender o fim do Mercosul, o bloco económico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia”, representa outro ataque aos interesses do povo brasileiro.

Na noite de quarta-feira, data limite estabelecida pela USTR para o público interessado opinar por escrito, antes da audiência pública agendada para segunda-feira, o Governo brasileiro contestou as conclusões da investigação do órgão norte-americano.

As autoridades brasileiras pedem a Washington que desista das medidas unilaterais e sustentam que o USTR não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou imponham prejuízos ao comércio norte-americano, a exemplo do uso do Pix.

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