
BrasÃlia, 29 mai 2023 (Lusa) — O chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou hoje, ao lado do homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, que considerou absurdo que os paÃses democráticos da Europa tenham reconhecido o opositor Juan Guaidó como Presidente da Venezuela, em 2019.
“Briguei muito com companheiros social-democratas europeus, com governos, com pessoas dos Estados Unidos. Achava a coisa mais absurda do mundo, para as pessoas que defendem democracia, negarem que você [Nicolás Maduro] era Presidente da Venezuela, tendo sido eleito pelo povo”, disse Lula da Silva numa conferência de imprensa na sede do Governo brasileiro ao lado de Maduro.
“Eu disse aos europeus que não entendia que um continente que exercia a democracia tão plenamente como a Europa pudesse apoiar a ideia de que o impostor [Juan Guaidó] era o Presidente [da Venezuela]”, acrescentou.
O encontro entre os chefes de Estado do Brasil e da Venezuela ocorre depois de oito anos de relações abaladas devido a mudanças polÃticas no Brasil e também pelo isolamento global imposto por muitos paÃses, incluindo os membros da União Europeia, à Venezuela na tentativa de pressionar o regime populista de Maduro a reverter o cerco à s instituições e à democracia que consideram que este promove naquele paÃs.
O Presidente brasileiro considerou ser “inexplicável um paÃs [Venezuela] ter 900 sanções porque outro paÃs [Estados Unidos] não gosta dele”.
“Acho que está nas suas mãos, companheiro, construir a sua narrativa e virar esse jogo para a Venezuela voltar a ser um povo soberano, onde somente o seu povo, através de votação livre, diga quem vai governar o paÃs. É só isso que precisa ser dito. E nossos adversários vão ter que pedir desculpas pelo estrago que ele fizeram na Venezuela”, disse o lÃder brasileiro, dirigindo-se a Maduro.
O chefe de Estado brasileiro também defendeu uma integração plena entre Brasil e Venezuela e, questionado sobre a retoma da interligação elétrica entre os dois paÃses, suspensa há mais de quatro anos, afirmou querer “recuperar a relação energética com a Venezuela” e as linhas de transmissão que levavam eletricidade da barragem venezuelana de Guri ao estado brasileiro de Roraima, no norte do paÃs.
“Roraima é o único estado fora do sistema eletrónico nacional”, e devido à s decisões polÃticas que em 2019 suspenderam as relações com a Venezuela, funciona à base de termoelétricas, “que são bem mais caras”, declarou Lula da Silva.
Já Maduro garantiu que a Venezuela “está preparada para recuperar esta cooperação elétrica” e que pode começar imediatamente a enviar cerca de “190 megawatts”, embora tenha esclarecido que seria necessário um “investimento básico de quatro ou cinco milhões de dólares para recuperar as linhas de transmissão”.
Maduro participará nesta terça-feira numa cimeira sul-americana em BrasÃlia, convocada por Lula da Silva para tentar relançar a cooperação e a integração entre os doze paÃses da região.
O Presidente venezuelano disse ter tido uma proveitosa conversa com Lula da Silva e a sua equipa, argumentou que houve a aplicação de um modelo ideológico extremista contra a Venezuela que fechou todas as portas e janelas de seu Governo com o Brasil, e acusou outros paÃses de tentarem impor um regime naquele paÃs, sem identificar nenhuma nação diretamente.
Maduro defendeu que há democracia na Venezuela embora o seu regime seja reiteradamente acusado de impedir a vitória de adversários em eleições que realiza periodicamente.
Antes do encontro entre Lula e Maduro, o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro publicou um vÃdeo da sua visita à Casa Branca, onde acertou com o então Presidente, Donald Trump, uma série de polÃticas de combate à “ditadura” venezuelana.
Bolsonaro explicou no vÃdeo como, com financiamento dos Estados Unidos, foi construÃdo um centro de acolhimento em Roraima para atender os venezuelanos que saem da Venezuela à procura de melhores condições de vida.
Os lÃderes da América do Sul reúnem-se na capital do Brasil na terça-feira como parte da tentativa de Lula da Silva de revigorar os esforços de integração regional que anteriormente fracassaram, face à s oscilações e polarização polÃtica do continente.
Analistas dizem que o Presidente brasileiro sente uma oportunidade de integração por causa das afinidades polÃticas dos atuais governos da região e parece querer testar a disposição dos lÃderes de cooperar através de uma reativada União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
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