
BrasÃlia, 29 mai 2026 (Lusa) – O Presidente brasileiro, Lula da Silva, afirmou hoje que o Brasil não aceitará ser tratado como “republiqueta”, após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Lula pediu respeito pela soberania brasileira e afirmou que o paÃs não aceitará interferências externas, declarando: “não brinquem com a soberania desse paÃs” e “não brinquem com a nossa democracia”.
O chefe de Estado criticou ainda o senador e pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro, que se reuniu esta semana, em Washington, com o Presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar da classificação do PCC e do CV.
Sem citar diretamente Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que há “um candidato a presidente” que “não tem vergonha na cara de trair a (…) pátria” ao pedir “intervenção americana no Brasil”.
O Presidente brasileiro sugeriu que Marco Rubio não participou na reunião de três horas que teve com Trump há três semanas na Casa Branca, porque o secretário de Estado estaria “preparado para ajudar um filho de um bolsonarista”.
Lula afirmou que o PCC e o CV são terroristas “para as comunidades brasileiras”, mas “não da forma como o Trump quer”, ao mencionar, como exemplo, Osama bin Laden, ex-lÃder da Al Quaida morto por tropas dos EUA em 2011.
Na sequência, o polÃtico brasileiro reafirmou que o combate à s fações criminosas será conduzido pelas instituições nacionais “aqui dentro”.
“Esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse paÃs”, declarou.Â
“Eles são terroristas porque incomodam as famÃlias, eles incomodam o bairro, eles incomodam a cidade, eles roubam tudo que tem direito do povo, o direito do povo ir e vir livremente”, completou.
Lula afirmou ter entregado documentos a Trump sobre cooperação bilateral contra o crime organizado e pediu a extradição de brasileiros investigados por contrabando, lavagem de dinheiro e outros crimes, que estariam nos Estados Unidos.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, afirmou Lula, ao citar suspeitos brasileiros que viveriam em Miami e no estado de Delaware.
Entre eles, o Presidente brasileiro citou nominalmente o empresário Ricardo Magro, considerado pelas autoridades brasileiras como o maior sonegador de impostos do Brasil, dono de uma refinaria de combustÃveis já interditada no Brasil. Â
“Nós não aceitamos ser tratado como moleque. Nós não aceitamos ser tratado como se fosse uma republiqueta”, afirmou durante o evento de anúncios de investimentos da Petrobras no estado de Sergipe.Â
O Presidente também defendeu a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional da Segurança Pública no Senado, afirmando que a proposta permitirá ampliar investimentos federais em inteligência e fortalecer o combate ao crime organizado.
A declaração é uma pressão indireta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adversário polÃtico do Palácio do Planalto, que ainda não deu andamento à tramitação da proposta.Â
Lula voltou a defender o multilateralismo e afirmou que o Brasil exige respeito de todas as nações, declarando que “não fala grosso” com nenhum paÃs.
MYMA // MLL
Lusa/fim



