Lucros dos bancos de Macau sobem 5% até agosto

Macau, China, 06 out 2026 (Lusa) — Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,51 mil milhões de patacas (830,7 milhões de euros) nos primeiros oito meses do ano, mais 5% do que no mesmo período de 2025, foi hoje anunciado.

De acordo com dados oficiais, a principal razão para a subida nos lucros foi um aumento de 33%, para 13,9 mil milhões de patacas (1,54 mil milhões de euros), na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

Isto apesar de o regulador financeiro de Macau ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais em 11 de dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Em setembro, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) aprovou a primeira subida desde 2023 da taxa de redesconto, valor cobrado aos bancos por injeções de capital de curta duração, com efeito imediato.

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, aumentaram 2,4% em comparação com agosto de 2025, fixando-se em 1,04 biliões de patacas (114,8 mil milhões de euros).

Mas os depósitos junto dos bancos de Macau cresceram ainda mais, 9%, para 1,5 biliões de patacas (165,6 mil milhões de euros) no final de agosto passado, disse a AMCM.

Os lucros da banca da região chinesa subiram apesar de um agravamento de 25,6% nos custos de funcionamento, que atingiram 13,8 mil milhões de patacas (1,53 mil milhões de euros).

Segundo a AMCM, a maior subida registou-se nas dotações para provisões, reservas para cobrir potenciais perdas, que aumentaram 62,9%, para 5,73 mil milhões de patacas (633,9 milhões de euros).

Isto apesar do crédito malparado na banca de Macau ter caído, pelo quarto mês consecutivo, para 45,7 mil milhões de patacas (5,05 mil milhões de euros), muito longe do máximo de 57,8 mil milhões de patacas (6,39 mil milhões de euros), fixado em junho de 2025.

Os empréstimos vencidos representavam 4,4% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos um ponto percentual do que em agosto de 2025. Uma percentagem que sobe para 4,6% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.

A percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas (812 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%).

O ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa foi 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas (1,88 mil milhões de euros).

Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos.

O BNU anunciou em 12 de agosto lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas (24,9 milhões de euros) na primeira metade de 2026, uma queda de 1,3% face ao mesmo período do ano passado.

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