Lucros dos bancos de Macau quase duplicam em 2025

Macau, China, 03 fev 2026 (Lusa) — Os bancos de Macau obtiveram um lucro de 7,34 mil milhões de patacas (769 milhões de euros) em 2025, quase o dobro do registado no ano anterior (mais 92,7%), foi hoje anunciado.

De acordo com dados oficiais da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), a principal razão para a subida dos lucros foi um aumento de 8,4%, para 17,5 mil milhões de patacas (1,84 milhões de euros), na margem de juros, a diferença entre as receitas dos empréstimos e as despesas com depósitos.

Isto apesar da AMCM ter aprovado três descidas da principal taxa de juro de referência em 2025, a última das quais um corte de 0,25 pontos percentuais, introduzida em 11 de dezembro, seguindo a Reserva Federal norte-americana.

Os empréstimos, a principal fonte de receitas da banca a nível mundial, diminuíram 0,4% em comparação com o final de dezembro de 2024, fixando-se em 1,02 biliões de patacas (106,4 mil milhões de euros).

Pelo contrário, os depósitos junto dos bancos de Macau aumentaram 9,6%, para 1,39 biliões de patacas (145,9 mil milhões de euros) no final do ano passado, disse a AMCM.

Apesar dos proveitos terem disparado em 2025, ficaram longe do ano mais lucrativo de sempre para a banca da região administrativa especial chinesa: 2020, quando os lucros ficaram perto de 17 mil milhões de patacas (1,78 mil milhões de euros).

Macau tem dois bancos emissores de moeda: a sucursal local do banco estatal chinês Banco da China e o Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos.

O BNU anunciou em novembro lucros líquidos de 315,3 milhões de patacas (34,02 milhões de euros) nos três primeiros trimestres de 2025, uma diminuição homóloga de 29%, que o banco atribuiu à evolução das taxas de juro.

O crédito malparado caiu 11,6% ao longo do ano passado para 49,7 mil milhões de patacas (5,2 mil milhões de euros). Foi a primeira vez queda anual dos empréstimos vencidos desde 2013.

Os empréstimos vencidos representavam 4,9% dos empréstimos dos bancos de Macau, menos 0,6 pontos percentuais do que no final de 2024. Uma percentagem que sobe para 5,6% no caso do crédito a instituições ou indivíduos fora da região chinesa.

A Autoridade Bancária Europeia, a agência reguladora da UE, por exemplo, considera que os bancos com pelo menos 5% dos empréstimos malparados têm “elevada exposição” ao risco e devem estabelecer uma estratégia para resolver o problema.

Ainda assim, a percentagem de crédito bancário vencido em Macau está longe do recorde de 25,3% alcançado em meados de 2001, em plena crise económica mundial causada pelo rebentar da bolha especulativa das empresas ligadas à Internet.

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