
Redação 19 ago 2021 (Lusa) — O resultado lÃquido consolidado do Crédito AgrÃcola quase duplicou (+92,5%), para 96,5 milhões de euros, no primeiro semestre em termos homólogos, superando os nÃveis pré-pandemia, impulsionado pelo negócio bancário, anunciou hoje o grupo.
“O Grupo Crédito AgrÃcola verificou, nestes primeiros seis meses do ano, uma forte retoma da atividade remetendo para a época pré-pandemia [em que o grupo apresentou um resultado lÃquido consolidado de 74,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2019], com o mercado a dar sinais claros de confiança”, afirma o presidente do grupo, citado num comunicado.
Segundo destaca LicÃnio Pina, “o crescimento da margem financeira e da margem técnica de seguros contribuÃram para o aumento do produto bancário que, em conjunto com o controlo dos custos de estrutura e a estabilização do custo do risco, não obstante a prudência, permitiram ao Crédito AgrÃcola registar um crescimento de 92,5% quando comparado com igual perÃodo em 2020”.
De acordo com os resultados não auditados hoje divulgados, até junho o negócio bancário contribuiu com 84,5 milhões de euros para o resultado lÃquido consolidado, um aumento de 110,6% face ao primeiro semestre de 2020.
Em 30 de junho de 2021, a carteira de crédito (bruto) a clientes do Grupo Crédito AgrÃcola ascendia a 11,5 mil milhões de euros, uma variação homóloga positiva de 6,2%.
Os depósitos bancários totalizavam 18.000 milhões de euros, mais 13,6% (ou 2.151 milhões de euros) em termos homólogos.
Segundo o grupo, “este aumento de recursos, superior ao aumento do crédito (lÃquido) concedido a clientes, contribuiu para a redução do rácio de transformação que, no final do perÃodo, ascendia a 61,9%”.
No final de junho, carteira de crédito em moratória totalizava 2.789 milhões de euros, dos quais 79,8% correspondiam a crédito a empresas, 12,8% a crédito à habitação e 7,3% a crédito ao consumo e outros créditos a particulares.
Em termos globais, 95,5% do crédito total e 88,3% das moratórias estava em situação regular (‘stages’ 1 e 2), mas o grupo admite que “o exercÃcio de 2021 encerra nÃveis de incerteza ainda elevados que se poderão vir a refletir ao nÃvel do incremento de imparidades da carteira de crédito”.
“Neste contexto, os próximos resultados trimestrais poderão sofrer alterações materiais decorrentes das atividades de acompanhamento regular da carteira de crédito, em particular dos setores mais afetados pela crise e com maior peso de contratos de crédito em situação de moratória”, diz.
No que respeita à solvabilidade, o Grupo Crédito AgrÃcola reporta um nÃvel que descreve como “confortável”, traduzido em rácios ‘common equity tier 1’ (CET1) e de fundos próprios totais, de 17,9% (excluindo resultado lÃquido do perÃodo), num rácio de alavancagem de 8,5% e num nÃvel de cobertura de liquidez (rácio LCR) de 380,4%, “todos bem acima dos nÃveis mÃnimos recomendados”.
Para a evolução do produto bancário no primeiro semestre (+14,0 milhões de euros face ao homólogo) o grupo diz ter contribuÃdo “essencialmente” o crescimento da margem financeira em 4,4 milhões de euros (+2,8%), da margem técnica do negócio segurador, que registou uma variação homóloga de +10,2 milhões de euros (+48,4%), e dos outros resultados (+11,2 milhões de euros).
As comissões lÃquidas aumentaram 400 mil euros, para 54,1 milhões de euros, e os resultados das operações financeiras reduziram-se em 12,3 milhões de euros (-18,5%), para um total de 54,4 milhões de euros.
“A redução dos custos de estrutura de 2,1 milhões de euros face ao perÃodo homólogo e o aumento do produto bancário determinaram uma melhoria de 3,6 pontos percentuais no rácio de eficiência que, com referência a junho de 2021, se situou em 58,8%”, refere.
Já as imparidades e provisões registadas no primeiro semestre ascenderam a 7,3 milhões de euros, recuando 29,1 milhões de euros em termos homólogos.
Nos primeiros seis meses de 2021, o custo do risco de crédito situou-se em 0,07%, evidenciando um aumento de 0,03 pontos percentuais face ao perÃodo homólogo devido ao reforço das imparidades especÃficas de crédito constituÃdas durante o exercÃcio.
A rentabilidade de capitais próprios consolidados (ROE) do Grupo Crédito AgrÃcola foi de 9,8%, traduzindo os resultados obtidos nas diferentes componentes do Grupo (Caixas AgrÃcolas, Caixa Central, companhias de seguros vida e não vida e gestão de ativos e fundos de investimento) e os “contributos positivos” do negócio segurador (3,9 milhões de euros da CA Vida e de 2,6 milhões de euros da CA Seguros).
Já os resultados registados nos veÃculos de desinvestimento imobiliário (nomeadamente via desvalorização de unidades de participação) penalizaram os resultados consolidados em -4,6 milhões de euros, verificando-se, ainda assim, uma melhoria homóloga de 0,1 milhões de euros.
Em junho, o rácio bruto de ‘Non Performing Loans (NPL)’, ou crédito mal parado, do grupo situava-se em 7,8%, recuperando face aos 8,1% do final de 2020.
As imparidades de NPL acumuladas ascendiam a 299 milhões de euros, correspondentes a um nÃvel de cobertura de NPL por imparidades de NPL de 33,6% e uma cobertura de NPL por imparidades de NPL e colaterais (FINREP) de 86,3% (ou um rácio de 129,3% não considerando haircuts, custos e o limite de exposição por contrato).
O rácio Texas, determinado pelo quociente entre o ‘stock’ de NPL e a soma dos capitais próprios tangÃveis com o ‘stock’ de imparidades, fixou-se nos 40,3%.
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