
Luanda, 29 jul 2025 (Lusa) — Luanda amanheceu hoje sem a habitual agitação, com ruas vazias, comércio encerrado e ausência quase total de táxis e mototáxis, denunciando um cenário tenso após os tumultos registados na segunda-feira.
Na sequência da violência que marcou o primeiro dia da greve convocada por taxistas contra o aumento dos combustÃveis, a capital angolana vive esta terça-feira num estado aparentemente letárgico, como em dias de pandemia, constatou a Lusa em vários locais.
O silêncio domina as principais avenidas, onde normalmente circulam milhares de veÃculos e mototáxis, os meios de transporte mais usados pela população, mas a visibilidade da polÃcia, relatos de tiroteios e pilhagens, bloqueios de estradas revelam que a tensão permanece.
Estabelecimentos comerciais, bancos e diversas instituições mantiveram hoje as portas fechadas e muitas empresas optaram por colocar os funcionários em regime de teletrabalho, temendo pela segurança, após os episódios de pilhagem, barricadas e vandalismo ocorridos no dia anterior.
A Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) tinha anunciado, há mais de 20 dias, uma paralisação pacÃfica entre 28 e 30 de julho, sob o lema “fica em casa”, para protestar contra a retirada dos subsÃdios aos combustÃveis. No entanto, após negociações com o Governo Provincial de Luanda, a ANATA recuou, e na segunda-feira demarcou-se dos atos de violência e anunciou o cancelamento da greve.
Ainda assim, o impacto da convocatória manteve-se e os protestos descontrolaram-se.
Hoje os populares “candongueiros” (táxis azuis e brancos) continuam parados e os serviços de transporte por aplicativo também não dão resposta à procura, segundo passageiros ouvidos pela Lusa.
Na segunda-feira, registaram-se confrontos violentos em vários pontos Luanda, onde se ergueram barricadas com pneus em chamas, foram saqueadas lojas e agredidos automobilistas.
Há registo de mortos e feridos, em confrontos com a polÃcia, mas as autoridades não confirmaram ainda o número de vÃtimas mortais.
O ambiente continuou agreste durante a noite, sobretudo em bairros periféricos como a Estalagem, em Viana, onde foram reportados disparos e ataques a viaturas por grupos de jovens em fúria.
Hoje, continua a ser visÃvel o reforço policial nas ruas, com presença de viaturas militares em pontos estratégicos.
Os protestos violentos ocorrem num contexto marcado pela recente subida dos preços dos combustÃveis, após o corte gradual dos subsÃdios estatais, medida que tem gerado forte contestação social em todo o paÃs.
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RCR // JMC
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