
Lisboa, 14 fev 2020 (Lusa) – O presidente do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação disse hoje que a empresária angolana Isabel dos Santos ainda não colocou nenhuma ação em tribunal no âmbito dos ‘Luanda Leaks’, conforme afirmou há algumas semanas.
“Não recebemos nenhuma ação legal; houve, claro, uma acusação verbal, mas não nos chegou nada ainda”, disse Gerard Ryle, durante uma conferência de imprensa que decorre hoje, em Lisboa, juntando figuras ligadas ao denunciante Rui Pinto, que defendem a sua libertação.
No dia 17 de janeiro, a empresária angolana Isabel dos Santos disse que vai avançar com ações em tribunal contra o consórcio de jornalistas que divulgou a investigação ‘Luanda Leaks’, reafirmando a origem lÃcita dos investimentos que fez em Portugal.
“Refuto as alegações infundadas e falsas afirmações e informo que deram inÃcio as diligências para as ações legais contra a ICIJ [Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação) e parceiros da ICIJ, as quais serão conduzidas pela empresa internacional de advogados Schillings Partners”, disse Isabel dos Santos.
A empresária, acusada em Angola de má gestão e desvio de fundos da companhia petrolÃfera estatal Sonangol, considera que foi “alvo de uma campanha […] orquestrada por vários órgãos de comunicação social”.
“Foram usados seletivamente imagens e documentos, mal interpretados e supostamente baseados em e-mails obtidos criminalmente por via de ‘hacking’, para construir uma narrativa enganosa sobre as minhas empresas, investimentos e trabalho em geral”, afirmou.
Isabel dos Santos lamentou o que considera “ações irresponsáveis de alguns jornalistas que […]desencadearam uma tragédia humana e negligenciaram o respeito pelo direito à privacidade”.
A empresária, que depois das revelações da investigação jornalÃstica tem anunciado a intenção de alienar as suas participações em várias empresas portuguesas, garantiu que nenhum desses investimentos foi feito com “fundos de origem ilÃcita”.
“Os investimentos realizados em Portugal foram constituÃdos por fundos lÃcitos, tendo sido respeitados os procedimentos do Banco Nacional de Angola (BNA) no que se refere ao licenciamento de exportação de capitais”, disse.
“As empresas com as quais opero são legÃtimas, pagam impostos, e nenhuma foi jamais condenada por atividade criminal”, acrescentou.
O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) revelou no dia de 19 de janeiro mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de ‘Luanda Leaks’, que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraÃsos fiscais.
De acordo com a investigação jornalÃstica, da qual fazem parte em Portugal o jornal Expresso e a SIC, Isabel dos Santos terá montado um esquema que lhe permitiu desviar mais de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros) para uma empresa sediada no Dubai, a Matter Business Solutions.
Sobre esta acusação concreta, Isabel dos Santos adiantou, no comunicado, que a referida empresa funcionou como responsável pela coordenação das várias consultoras internacionais que trabalharam na reestruturação da Sonangol, incluindo, entre outras, a BCG, PWC, McKinsey e VdA.
“Estas consultoras internacionais trabalharam com a Matter Business Solutions na sua qualidade de coordenador transversal do projeto de reestruturação do Grupo Sonangol e receberam pagamentos de cerca de 90 milhões de dólares, efetuados pela Matter Business Solutions”, disse Isabel dos Santos.
Por isso, sublinhou, “as informações de que a Matter é uma empresa fantasma que recebeu injustificadamente mais de 100 milhões de dólares são particularmente enganosas e manipuladoras”.
A empresária adiantou ainda que os trabalhos de consultoria e apoio à reestruturação da Sonangol decorreram ao longo de 18 meses em mais de 20 empresas do grupo, tendo “contribuÃdo para gerar resultados positivos” no grupo.
MBA (CFF) // VM
Lusa/Fim



