
Loures, Lisboa, 27 jul 2025 (Lusa) — Livre, BE e PAN firmaram hoje um acordo de coligação pré-eleitoral para as autárquicas em Loures, com apelos ao voto de socialistas descontentes com a governação do autarca Ricardo Leão.
O acordo foi firmado no Parque Adão Barata, em Loures, e contou com a presença do porta-voz do Livre, Rui Tavares, da porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, e do ex-lÃder parlamentar do BE e candidato à Câmara de Loures em 2017 e 2021, Fabian Figueiredo. A coligação, designada “Construir o futuro”, terá como cabeça de lista LuÃs Sousa.
Depois da assinatura do acordo, os três dirigentes falaram aos jornalistas, tendo abordado a demolição de barracas no bairro do Talude, em Loures, decretada pelo presidente da Câmara Municipal local, o socialista Ricardo Leão.
Rui Tavares acusou os grandes partidos de acharem que “a maneira de fazer polÃtica agora é ir atrás da espuma dos dias e de quem consegue mais cliques nas redes sociais ou mais minutos nas televisões”, frisando que a coligação agora firmada entre Livre, BE e PAN defende uma “polÃtica de boa vizinhança, de entreajuda, de respeito”.
O porta-voz do Livre deixou um apelo ao voto aos socialistas que “se reveem na memória de grandes autarcas, como Jorge Sampaio ou João Soares”, e deixou crÃticas ao primeiro-ministro, LuÃs Montenegro, que acusou de estar “sentado em cima” do Fundo de Emergência para Habitação, proposto pelo seu partido e aprovado no âmbito do Orçamento do Estado para 2024, dotado de “mais de 100 milhões” de euros.
“Estão lá para utilizar precisamente para isto: alojamento de emergência, para impedir que pessoas que falharam uma prestação, uma renda, fiquem sem casa, para impedir que problemas que podem momentâneos se tornem problemas enormes porque o LuÃs não quer trabalhar e o Leão não o quer obrigar a trabalhar”, frisou.
Por sua vez, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou que em Loures se está a assistir uma “traição aos ditos valores socialistas”, pedindo o voto de quem, “independentemente do partido em que votaram nas anteriores autárquicas”, se revê em valores “humanistas, de respeito e responsabilidade”.
“Ninguém escolhe morar numa barraca. (…) Longe vão os tempos, infelizmente, em que os autarcas se orgulhavam de entregar chaves à s pessoas para que morassem condignamente em bairros sociais, para agora demolir-se, expulsar-se as pessoas do pouco teto que tinham antes para viver”, disse.
Sousa Real assegurou que essa não é a forma de trabalhar da coligação Livre, BE, PAN, afirmando que é “verdadeiramente humanista e traz valores não só socialistas, mas acima de tudo humanitários, do progresso e da preocupação de ambiental”.
Já Fabian Figueiredo considerou que, ao constituÃrem esta coligação em Loures, Livre, BE e PAN “dão um sinal importante que as pessoas decentes sabem unir-se e construir programas para trazer uma alternativa”.
“E Loures precisa urgentemente de uma alternativa que ponha a dignidade da pessoa humana no centro das polÃticas, que tenha autarcas decentes, combativos, que façam as batalhas pelas quais vale a pena estar na vida pública: garantir a casa, transportes públicos, serviços públicos fortes”, disse.
Fabian Figueiredo considerou, contudo, que o “poder estabelecido em Loures tem sido um susto”, recordando que, em 2017, Ricardo Leão criticou o PSD por ter apresentado André Ventura no municÃpio e, agora, “faz exatamente o mesmo discurso” do Chega.
“Isto é indecente e é por isso que nós dizemos, de forma muito aberta, que toda a gente que quer polÃticas decentes, empáticas, humanistas, progressistas e ecologistas, é bem-vindo a esta coligação”, disse, deixando um apelo direito aos socialistas.
“Se a liderança do PS não sabe estar à altura do momento de traçar as linhas vermelhas pela decência, o BE, o Livre, o PAN e as dezenas de independentes que compõem estas listas, estão”, garantiu.
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