
Madrid, 13 dez 2022 (Lusa) — O parlamento lituano aprovou hoje uma prorrogação, até março, do estado de emergência na fronteira com a Rússia e a Bielorrússia, devido à guerra na Ucrânia.
O regulamento especial permite à s autoridades parar e revistar tanto veÃculos como civis nas zonas fronteiriças, bem como em outros pontos de controlo, como aeroportos e estações ferroviárias.
Além da Polónia e Letónia, a Lituânia partilha uma fronteira com o enclave russo de Kaliningrado, no Mar Báltico, e com a Bielorrússia, um dos principais aliados de Moscovo.
Desde o inÃcio da guerra na Ucrânia, Vilnius olha para o conflito como uma ameaça à sua segurança.
“Propomos prolongar a situação, porque nada mudou, nada melhorou, só piorou”, sustentou a primeira-ministra lituana, Ingrida Simonyte, no parlamento, acrescentando que após o destacamento de mais tropas russas na Bielorrússia “não há razão para dizer que a situação de segurança tenha melhorado”.
Vilnius decretou o estado de emergência após a invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, e desde então prorrogou a medida duas vezes.
Inicialmente, a medida foi imposta em todo o paÃs, mas em setembro foi reduzida à s zonas fronteiriças e pontos de controlo como aeroportos e estações de comboio.
O estado de emergência já estava em vigor no território limÃtrofe da Bielorrússia desde novembro de 2021, em resposta à s tentativas de entrada de milhares de migrantes na Lituânia, tentando assim obter acesso ao território da União Europeia.
A ofensiva militar lançada em 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa — justificada por Vladimir Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra, que hoje entrou no seu 293.º dia, 6.755 civis mortos e 10.607 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
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