
Lisboa, 04 mai 2026 (Lusa) — O ministro da Administração Interna contrariou hoje “a questão das perceções” de insegurança na sociedade portuguesa, salientando que a capital tem hoje menos criminalidade que no passado.
“Há que gerir a questão das perceções, Lisboa não tem mais crime do que teve no passado”, afirmou LuÃs Neves durante um encontro organizado pela PolÃcia Municipal da capital, recordando os anos 1980 e 1990 ou o final da década de 2000.
Em 2008 e 2009, “entre assaltos a bancos, a gasolineiras e postos dos CTT com mortos”, houve “900 ataques por ano”, com particular incidência em Lisboa, Setúbal e Porto.
“Hoje, porventura, não temos 10% desses crimes” que sucederam nesses “anos de chumbo de crime”, em que “havia gasolineiros mortos em assaltos à mão armada”, disse o governante no colóquio coesão social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança.
LuÃs Neves pediu que “ninguém utilize os números para, através da manipulação, massificação e deturpação, possa vir a criar uma teoria do caos em que o objetivo é combater o respeito por todas as formas de diversidade do ser humano”.
“É isso que me move estar aqui”, nas funções de ministro, disse, referindo que aceitou o cargo para contribuir para que “o respeito pela diversidade do ser humano possa ser uma realidade”.
“A nossa cultura é vincada no respeito da diversidade da raça, da origem, da orientação polÃtica, da orientação religiosa, da orientação sexual e do respeito pelo género”, afirmou LuÃs Neves.
Na construção desta polÃtica de segurança, a “PolÃcia Municipal tem um papel muito relevante e determinante”, porque conhece “as dinâmicas locais da comunidade”.
O governante elogiou a valorização da carreira dos polÃcias municipais e a “possibilidade de recrutar diretamente cidadãos com conhecimento do território”.Â
Porque “queremos profissionais que conheçam os rostos de cada bairro”, pois cada polÃcia municipal é um “especialista em convivência urbana e em moderação”.Â
O governante quis também clarificar as funções de todas as forças: “A PolÃcia Municipal foca-se no acompanhamento do quotidiano urbano” e permite que PSP e GNR se “foquem nas suas funções especÃficas”.
No futuro, o “objetivo é garantir modelos mais adequados” e “uma presença mais próxima das populações”.Â
Recentemente, LuÃs Neves anunciou uma maior atenção à sinistralidade e segurança rodoviária, defendendo uma “polÃtica que olhe para as zonas urbanas”, onde se verificam “acidentes com feridos graves”, “muito acima da média” europeia. Â
“A segurança do espaço urbano não se esgota na prevenção da criminalidade” e “importa dar atenção à sinistralidade em meio urbano”, afirmou.Â
Nesse campo, “Lisboa tem condições para assumir essa ambição” de se afirmar “como uma cidade de referência na segurança rodoviária”.
O regresso da Brigada de Trânsito foi recordada pelo ministro, salientando que a criação daquela unidade “não beliscará qualquer competência que a PSP tem nesta temática”.
“Reduzir a sinistralidade é uma responsabilidade coletiva”, acrescentou ainda.Â
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