Liga dos Bombeiros denuncia no parlamento quatro meses de dívidas do INEM

Lisboa, 18 fev 2026 (Lusa) — O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) alertou hoje que o INEM está há quatro meses sem pagar às associações de bombeiros pelo socorro pré-hospitalar e admitiu ter ponderado rescindir o acordo de cooperação.

“O problema do transporte de doentes urgentes não é um problema de agora, é um problema que se mantém e que não houve, até ao momento, capacidade para resolver a tal ponto que em determinado momento — nós numa reunião — colocámos em cima da mesa rescindir o acordo de cooperação”, disse António Nunes.

O presidente da LBP falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

António Nunes revelou que a LBP chegou a colocar “em cima da mesa” a possibilidade de o INEM passar a contratar diretamente os 436 corpos de bombeiros, por não ser possível garantir “um desenvolvimento sustentável” com os atuais atrasos.

“Os pagamentos estão em atraso e, ao dia de hoje, temos valores por receber desde novembro”, salientou, lembrando que estão em dívida cerca de 10 milhões de euros por mês.

O responsável sublinhou que muitas ambulâncias de emergência pré-hospitalar são asseguradas por bombeiros voluntários com contratos de trabalho, o que obriga as associações a suportar salários, combustível, oxigénio e material clínico “a preços elevadíssimos”, sem receberem as verbas devidas.

“Estamos a subsidiar sistematicamente o INEM. Já o dissemos várias vezes”, reforçou, alertando que a crise financeira das associações humanitárias “está em cima da mesa” quando não são pagos os meses de novembro, dezembro, janeiro e já metade de fevereiro.

António Nunes recordou ainda que a Assembleia da República aprovou várias deliberações que obrigam o Governo e o INEM a pagar “a tempo e horas”, mas “não o fez”.

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

JML // ZO

Lusa/Fim