
Cabul, 25 jun 2023 (Lusa) – O lÃder dos talibãs assegurou hoje que a situação no paÃs melhorou a todos os nÃveis desde o regresso da organização ao poder, especialmente no plano económico, e que as mulheres vivem “mais confortavelmente”.
Numa mensagem de felicitações por ocasião do Eid al Adha, o lÃder do movimento talibã, Hibatullah Ajundzada, refere que o paÃs foi salvo do “colapso” e que as mulheres vivem agora “mais confortavelmente”, mas sempre dentro da sua estrita interpretação da lei islâmica.
O feriado de Eid al-Adha será celebrado este fim de semana no Afeganistão e noutros paÃses islâmicos.
Na mensagem, que contrasta fortemente com as opiniões de organizações não-governamentais (ONG) e de governos, mesmo simpatizantes do movimento fundamentalista, o lÃder talibã afirma que, por exemplo, o seu Governo cumpriu “as suas promessas” aos paÃses vizinhos e mantém agora boas relações internacionais, “especialmente com o mundo muçulmano”.
“Tal como não interferimos nos assuntos internos de outros paÃses, não permitimos que outros interfiram nos nossos”, afirmou na mensagem, transmitida pelo porta-voz habitual do grupo, o vice-ministro da Informação, Zabiullah Mujahid, e noticiada pelo Tolo News.
O lÃder talibã congratulou-se igualmente com a situação económica do paÃs, afirmando que “todos aqueles que previram o colapso do Afeganistão se revelaram errados”, e que atribuiu a uma série de “medidas sensatas” e a um exercÃcio de “sinceridade e transparência”.
Embora uma avaliação recente do Banco Mundial registe desenvolvimentos positivos, como a contenção da inflação, a ONU entende que a situação no terreno devido à falta de ajuda humanitária continua a ser dramática num paÃs onde 28,3 milhões de afegãos precisam urgentemente de ajuda para sobreviver.
No que diz respeito à s mulheres, Ajundzada afirmou que os talibãs tomaram medidas concretas para as salvar de “opressões tradicionais”, como o casamento forçado, e que “foram tomadas as medidas necessárias para melhorar o bem-estar das mulheres, como metade da sociedade que representam, para que tenham uma vida mais próspera e confortável, de acordo com a Sharia islâmica”.
No entanto, o lÃder dos talibãs não fez qualquer referência a uma eventual decisão de levantar o atual veto educativo à s raparigas e mulheres afegãs que desejem frequentar o ensino secundário e universitário, nem à s numerosas restrições laborais impostas à s mulheres desde o seu regresso ao poder, há quase dois anos.
Ajundzada, um académico islâmico, raramente aparece em público ou sai do feudo dos talibãs, na provÃncia de Kandahar, no sul do Afeganistão. Rodeia-se de outros académicos religiosos e de aliados que se opõem à educação e ao trabalho das mulheres.
Ultimamente, Ajundzada parece ter assumido uma posição mais forte na direção da polÃtica interna, proibindo a educação das raparigas após o sexto ano e impedindo as mulheres afegãs de participarem na vida pública e de trabalharem, especialmente em ONG e nas Nações Unidas.
Apesar das promessas iniciais de um governo mais moderado do que durante o seu anterior perÃodo no poder na década de 1990, os talibãs impuseram medidas duras desde que tomaram o Afeganistão em agosto de 2021, quando as forças dos EUA e da NATO estavam a retirar-se.
Proibiram as mulheres de frequentar espaços públicos, como parques e ginásios, e reprimiram a liberdade de imprensa.
As medidas desencadearam uma forte revolta internacional, aumentando o isolamento do paÃs numa altura em que a sua economia entrou em colapso – e agravando uma crise humanitária.
Ajundzada reiterou o seu apelo para que os outros paÃses deixem de interferir nos assuntos internos do Afeganistão. Afirmou que o Governo talibã pretende manter boas relações polÃticas e económicas com o mundo, especialmente com os paÃses islâmicos, e que cumpriu a sua responsabilidade a este respeito.
A mensagem de Ajundzada condenou igualmente o comportamento de Israel em relação aos palestinianos e apelou ao povo e ao Governo do Sudão para que ponham de lado as suas diferenças e trabalhem em conjunto para a unidade e a fraternidade.
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Lusa/FFim



