
Damasco, 15 jul 2024 (Lusa) — O Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, disse hoje estar disponÃvel para um encontro com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, em função do “conteúdo” das conversações, em resposta a uma sugestão do lÃder da Turquia.
Damasco e Ancara romperam todas as relações oficiais em 2011 após o inÃcio da guerra civil sÃria que se prolonga há mais de 13 anos e dilacerou o paÃs.
“Caso um encontro [com Erdogan] conduza a resultados (…) e sirva os interesses do paÃs, então vou fazê-lo”, afirmou Bashar al-Assad em resposta a uma pergunta dos jornalistas.
“Mas o problema (…) reside no conteúdo da reunião”, precisou o governante, realçando que “o apoio ao terrorismo e a retirada do território sÃrio” das tropas turcas constituem “a essência do problema”.
Assad reafirmou desta forma a posição da SÃria ao responder a Erdogan, que há dias admitiu que poderia convidar o seu homólogo “a qualquer momento” para uma deslocação à Turquia.
Posteriormente, no sábado, o Presidente turco anunciou o fim iminente da operação militar das forças turcas contra a guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, grupo considerado terrorista pela Turquia e pelo Ocidente) no norte do Iraque e da SÃria.
“Sem discussão em torno da essência do problema, o que seria do encontro?”, questionou Assad, afirmando que a iniciativa deverá “responder aos interesses” dos dois paÃses.
“É necessária uma reunião, independentemente do nÃvel [dos participantes]”, acrescentou, admitindo que tal iniciativa estava a ser organizada “por determinados mediadores”.
Desde 2022 que Damasco exige a retirada das forças militares turcas do norte do paÃs — onde controlam duas zonas fronteiriças e exercem uma influência no nordeste, controlado pelos ‘jihadistas’ –, como condição prévia a qualquer encontro e normalização das relações.
A Turquia, que era encarado como um privilegiado parceiro polÃtico e económico de Damasco, aconselhou o seu aliado no inÃcio da rebelião popular na SÃria a aplicar reformas polÃticas, e de seguida apelou à demissão de Bashar al-Assad.
Em março de 2012, a Turquia encerrou a sua embaixada em Damasco, com Erdogan a apelidar Assad de “assassino” e “terrorista”.
Ancara também acolheu diversos grupos da oposição polÃtica sÃria, iniciou um apoio a grupos armados rebeldes extremistas e recebeu milhões de refugiados sÃrios.
A Turquia denunciou de seguida a necessidade de impedir o que Erdogan designou de “corredor do terror” no norte da SÃria, onde os curdos sÃrios instalaram uma administração autónoma, recusada por Ancara e por Damasco.
Em agosto de 2022, Ancara admitiu pela primeira vez a necessidade de reconciliar a oposição e o regime sÃrio, uma abordagem que suscitou divergências entre as forças que se opõe a Bashar al-Assad.
A guerra civil na SÃria foi desencadeada em março de 2011 pela violenta repressão do regime do Presidente sÃrio, Bashar al-Assad, de manifestações pacÃficas.
O conflito ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de paÃses estrangeiros e de grupos ‘jihadistas’, e várias frentes de combate.
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