
Damasco, 11 dez 2024 (Lusa) – Ahmed Hussein al Shara, lÃder rebelde sÃrio que derrubou o Presidente Bashar al Assad, garantiu hoje desde Damasco que os rebeldes conseguiram “reunificar os sÃrios” face à s ameaças de divisão do paÃs.
“Foi uma batalha histórica, em que salvámos a SÃria e toda a região do perigo estratégico (…) de uma ameaça contra a sua existência. A SÃria corria o risco de se dividir (…) Conseguimos reunificar os sÃrios”, sublinhou Al Shara, conhecido pelo nome de guerra Abu Mohammed al-Jolani, num discurso na mesquita Imam Shafie, em Damasco.
O lÃder do Hayat Tahrir al Sham (HTS, Organização para a Libertação do Levante), herdeiro da antiga afiliada da Al Qaeda na SÃria, surgiu como a principal figura da vertiginosa ofensiva rebelde que em apenas duas semanas conseguiu derrubar o regime de Bashar al Assad, que se manteve no poder durante 24 anos.
A operação surpresa, à qual as forças governamentais mal resistiram, terminou quando os rebeldes conseguiram capturar Damasco no passado domingo e o presidente deposto fugiu para Moscovo com a sua famÃlia.
“Vocês viram que a luta foi fácil, mas eles estavam muito bem preparados. Deus estava do nosso lado”, vincou Al Shara, que garantiu que os insurgentes usaram armas “fabricadas localmente” que obtiveram “com grandes esforços”, como drones e rockets de média distância.
O lÃder rebelde lembrou ainda que “não houve nenhum paÃs que apoiasse” a insurgência, apesar de várias organizações e ativistas apontarem a Turquia como o principal apoiante da oposição armada a Assad.
“Mas tÃnhamos toda a confiança de que Ãamos ganhar”, frisou o islamista, acrescentando que as intenções do seu grupo são “servir o povo” e não qualquer partido ou fação em particular, numa altura em que há dúvidas sobre como será a transição .
Al Shara reiterou o seu apelo para que “todas as pessoas deslocadas” durante os 13 anos de guerra no paÃs árabe regressem com o propósito de “construir a nova SÃria”.
Também o primeiro-ministro responsável pela transição na SÃria, Mohammad al-Bashir, apelou hoje aos milhões de exilados para regressarem ao paÃs, em entrevista ao diário italiano Corriere della Sera.
Enquanto os paÃses ocidentais estão preocupados com a forma como o novo poder, dominado pelo HTS, tratará as muitas minorias na SÃria, o primeiro-ministro interino procurou tranquilizar a comunidade internacional.
“É precisamente porque somos muçulmanos que vamos garantir os direitos de todos (…) e de todas as religiões na SÃria”, frisou.
O HTS garante ter rompido com o ‘jihadismo’, mas continua a ser classificado como terrorista por vários paÃses ocidentais, incluindo os Estados Unidos.
Bashir apelou ainda aos sÃrios exilados para que regressassem a casa para “reconstruir” o paÃs, com uma maioria árabe sunita, onde vivem juntas várias comunidades étnicas e religiosas.
Cerca de seis milhões de sÃrios, um quarto da população, fugiram do paÃs desde 2011, quando a repressão dos protestos pró-democracia desencadeou uma guerra devastadora.
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