
Londres, 08 jul 2026 (Lusa) – O polÃtico populista britânico Nigel Farage vai tentar ser reeleito deputado numa eleição em agosto, votação desencadeada pela própria demissão em protesto contra as investigações de que está a ser alvo sobre alegadas irregularidades financeiras.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, deu inÃcio ao processo e a data, que o Partido Reformista (Reform UK, a força polÃtica de Farage) quer que seja 06 de agosto, será confirmada na quinta-feira pelas autoridades locais.Â
Mas a eleição parlamentar parcial no cÃrculo eleitoral de Clacton-on-Sea, no sudeste de Inglaterra, foi descrita como uma “manobra” pelos restantes partidos polÃticos, que não tencionam apresentar candidatos.
O único que manifestou intenção de concorrer é o excêntrico “Count Binface”, personagem do comediante Jon Harvey, conhecido pela máscara em forma de caixote do lixo e por campanhas satÃricas.Â
O candidato afirmou hoje à estação pública BBC que o seu principal argumento é “não ser Nigel Farage”, mas admitiu que dificilmente vencerá, sublinhando que o seu objetivo é “celebrar a democracia britânica”.
O lÃder do Reform UK anunciou na terça-feira a renúncia ao mandato que possui desde julho de 2024 para colocar o seu futuro polÃtico “nas mãos dos eleitores”.Â
Nigel Farage, de 62 anos, manifestou-se “zangado” com as suspeitas de ter recebido pessoalmente milhões de libras indevidamente de dois financiadores do partido anti-imigração.
O polÃtico está sob investigação do parlamento por não ter comunicado um alegado “presente” de cinco milhões de libras (cerca de 5,8 milhões de euros) de Christopher Harborne, um multimilionário britânico que fez fortuna com as criptomoedas e vive na Tailândia.
Entretanto, a imprensa britânica noticiou que Farage terá recebido apoio financeiro não declarado à s autoridades de George Cottrell, condenado por fraude nos Estados Unidos, para a campanha eleitoral de 2024.Â
Segundo notÃcias recentes, esta doação terá sido sinalizada por banqueiros à Agência Nacional contra o Crime como potencial operação suspeita de branqueamento de dinheiro, embora tal não constitua prova de ilegalidade.
Farage rejeita quaisquer irregularidades e queixou-se de ser alvo uma alegada campanha de perseguição por parte da comunicação social e do “sistema”.
“Não fiz nada de errado. Não infringi a lei de forma alguma. Não utilizei indevidamente dinheiro público”, afirmou, denunciando uma alegada campanha de perseguição mediática.
Farage considera que esta “será uma eleição parcial entre o povo e o sistema” e que uma vitória será o equivalente a “mostrar o dedo do meio ao sistema”.Â
Mas os restantes partidos polÃticos consideram que esta é uma estratégia para desviar atenções das suspeitas de irregularidades financeiras.
“O Partido Trabalhista não vai participar neste circo”, afirmou hoje o vice-primeiro-ministro, David Lammy, no parlamento.Â
Também o Partido Conservador, principal força da oposição no Reino Unido, confirmou que não participará numa eleição que, na sua perspetiva, visa “distrair” o eleitorado.
A lÃder ‘tory’ (conservadora), Kemi Badenoch, qualificou as eleições como uma “farsa” e comprometeu-se a apresentar um candidato “nas verdadeiras eleições”, que poderão ser convocadas caso se confirme que Farage infringiu as regras de comunicar donativos financeiros relacionados com a atividade polÃtica.
O lÃder dos Liberais-Democratas, Ed Davey, lamentou que o Governo não tenha bloqueado as eleições porque entende que os eleitores deveriam apenas votar após o fim das investigações
“Se se realizarem eleições, todos os partidos devem afastar-se. Não podemos dar oxigénio a este projeto de vaidade”, declarou na terça-feira.
Além dos trabalhistas, conservadores e liberais-democratas, também os Verdes e o partido de extrema-direita Restore Britain indicaram que não irão a votos.
Nigel Farage é um polÃtico populista de direita, conhecido pelas suas posições anti-União Europeia e anti-imigração, que foi eleito deputado pela primeira vez em 2024, após sete tentativas falhadas.Â
O Partido Reformista, antigo Partido do ‘Brexit’, conta apenas com oito dos 650 deputados da Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento), mas tem vindo a liderar consistentemente as sondagens nacionais de opinião, à frente do Partido Trabalhista e dos Conservadores.
O Reform UK foi o grande vencedor nas eleições locais e regionais de maio, que desencadearam a demissão do primeiro-ministro, Keir Starmer, forçada pelo próprio Partido Trabalhista.
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