
Lisboa, 04 dez 2023 (Lusa) — O lÃder parlamentar do Bloco de Esquerda não será candidato nas próximas legislativas, por entender que é tempo de renovar e “dar lugar a outros”, mas diz-se disponÃvel para todas as lutas e fiel aos valores da esquerda.
Num artigo de opinião hoje publicado no jornal Público, Pedro Filipe Soares considera que a marcação de eleições para 10 de março do próximo ano “será o inÃcio de um novo ciclo polÃtico”, num momento que considera que “marca uma transição”.
“Penso ser tempo de renovar, cumprir o preceito republicano de que a representação pública tem um tempo limitado e dar o lugar a outros”, escreve Pedro Filipe Soares, sublinhando que tomou a decisão “com a certeza que hoje o Bloco de Esquerda [BE] está mais forte” e terá “um papel determinante” no próximo ciclo polÃtico.
O dirigente do BE sublinha que esta “não é uma despedida da atividade polÃtica ou da camaradagem”, que estará presente em todas as lutas, pois mantém-se fiel aos valores da esquerda, “pelos direitos no trabalho, o teto para uma vida digna, a resposta à crise climática, a cultura da solidariedade e a promoção da igualdade”.
“Não faltarei a nenhuma chamada, sabem que podem contar comigo para tudo”, escreve.
Pedro Filipe Soares lembra igualmente o que considera “um dos momentos mais marcantes” da sua vida polÃtica até hoje: “o banho de multidão quando derrubámos o Governo das direitas, em 2015”.
“Depois de quatro anos de destruição do paÃs, de ataques ao salário e à s pensões, a esperança saiu à rua em estado puro”, recorda, acrescentando: “SabÃamos que o acordo parlamentar era indispensável, mas também conhecÃamos as suas limitações”.
“A maioria absoluta do PS e a crise social que cavou mostram como hoje temos de ser muito mais ambiciosos para resolver os bloqueios do paÃs”, refere Pedro Filipe Soares, realçando os avanços nos direitos fundamentais conseguidos nos últimos anos, dando como exemplo o casamento ou a adoção entre pessoas do mesmo sexo, o alargamento de direitos à s uniões de facto ou a descriminalização da morte medicamente assistida.
“E expusemos como as regras europeias, sobre as metas de défice e da dÃvida, são o garrote do investimento público e atrasam o paÃs”, escreve.
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