
Bissau, 10 fev 2023 (Lusa) — O lÃder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, voltou hoje a ser impedido de viajar para o estrangeiro, após a companhia aérea ter recusado fazer o ‘check-in’, disse o próprio.
“A companhia informou aos elementos do protocolo que se apresentaram no aeroporto que tinha recebido ordens expressas para não proceder ao registo da minha viagem”, afirmou aos jornalistas Domingos Simões Pereira.
Segundo o lÃder do PAIGC e antigo primeiro-ministro, os elementos do protocolo lembraram a companhia aérea que “toda a viagem é um contrato” e que era necessário dar-lhe “algum justificativo”.
“Não foi possÃvel porque visivelmente a companhia sentiu-se constrangida pela forma como lhe foi transmitida a tal ordem”, disse.
“Para mim, isso é uma demonstração clara do enorme défice de cultura democrática. Se nas vezes anteriores se fabricou todo o tipo de justificativo para dizer que havia algo que impedia a minha deslocação, desta vez, na ausência desse algo ou de qualquer restrição à minha liberdade, a solução é fisicamente impedir o meu acesso ao aeroporto e desta forma não há como provar que os meus direitos estão a ser postos em causa”, afirmou.
Domingos Simões Pereira deveria ter viajado hoje na companhia aérea Euroatlantic para Lisboa, que esteve durante o perÃodo da manhã a realizar o check-in para o voo, que deverá sair ao final do dia de Bissau.
O lÃder do PAIGC salientou que um juiz de instrução e o tribunal já fizeram uma certidão que foi transmitida a todas as instâncias a referir que “não há rigorosamente nada” que o impeça de viajar.
Durante a manhã de hoje era visÃvel um forte dispositivo policial no acesso ao aeroporto Osvaldo Vieira, incluindo no próprio aeroporto.
“É muito triste. Penso que todo o guineense se sente entristecido por isso. Voltamos a ter uma capital militarizada por algo que é absolutamente incompreensÃvel. Eu sou um cidadão de ordem, portanto, havendo alguma disposição que restringe a minha liberdade, bastaria comunicarem-me isso”, disse Domingos Simões Pereira.
“A nenhum guineense faz bem ouvir que em 2023 continuamos a impedir, por via força, alguém de aceder a um espaço público. Não faz sentido. Por volta das 06:00 [mesma hora em Lisboa], os meus serviços de segurança informaram-me que havia um dispositivo de segurança à porta da minha casa”, salientou Domingos Simões Pereira.
Questionado sobre o que poderá acontecer agora, Domingos Simões Pereira disse esperar que a situação “acabe bem”, mas, acrescentou, isso só será possÃvel quando o povo guineense compreender que é possÃvel repor a normalidade constitucional e o respeito da lei.
“O povo tem de compreender que não há nenhuma arma que possa derrotar o próprio povo. Há de chegar o momento em que será impossÃvel aceitar este quadro”, disse.
O lÃder do PAIGC já foi por várias vezes impedido de sair do paÃs por “ordens superiores”, tendo a última acontecido em 16 de dezembro passado.
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