
Maputo, 20 mai 2025 (Lusa) – O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, afirmou hoje que a carga policial sobre apoiantes do partido na Gorongosa “põe em causa” o acordo para pacificação do paÃs assinado com o Presidente da República.
“Esta atuação da PolÃcia da República de Moçambique [PRM] em Gorongosa já está a pôr em causa todo o processo do diálogo polÃtico nacional inclusivo. Porque quando nós assinamos este compromisso polÃtico era para normalizar a situação, dizer que vamos sentar todos aqui como moçambicanos e discutir o paÃs”, acusou Simango, em conferência de imprensa.
O partido acusa a PRM de ter travado, com recurso ao lançamento de gás lacrimogéneo, uma ação polÃtica do MDM, no domingo, que pretendia assinalar os 60 anos da vila da Gorongosa, provÃncia de Sofala, centro do paÃs, afirmando que foram feridos 50 apoiantes do partido, um dos quatro com assento na Assembleia da República.
“Que fique bem claro, para todas as moçambicanas e moçambicanos, que a atuação da PRM tem manipulação polÃtica. E há violação do número cinco da sexta cláusula do compromisso polÃtico assinado no dia 05 de março, que é sobre a liberdade de realização das atividades polÃtico-partidárias. Um partido polÃtico nacional, registado, reconhecido pelas leis moçambicanas, não precisa de pedir uma autorização para fazer a sua manifestação polÃtica”, enfatizou Simango.
Pelo menos duas pessoas ficaram gravemente feridas domingo numa intervenção da polÃcia moçambicana para dispersar a marcha do MDM na Gorongosa, confirmaram na segunda-feira as autoridades.
“Foram de forma reiterada avisados (…) Houve sequência de desobediência qualificada, daà que a polÃcia se viu obrigada a intervir, portanto, comunicando à Unidade de Intervenção Rápida. Fomos ao local, esgotadas todas as possibilidades de dialogar, recorremos ao uso de gás lacrimogéneo como instrumento de dispersão e houve alguns feridos e dois graves que foram levados ao hospital local”, disse na segunda-feira Dércio Chacate, porta-voz do comando provincial da PRM em Sofala.
Este incidente surge um mês depois da promulgação (14 de abril), pelo chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, da lei relativa ao Compromisso PolÃtico para um Diálogo Nacional Inclusivo, aprovada dias antes no parlamento.
Em causa está a lei feita com base no acordo entre o Presidente moçambicano e os principais partidos polÃticos, assinado em 05 de março, para ultrapassar o perÃodo de violência e agitação social que se seguiu à s eleições gerais de 09 de outubro, que provocaram cerca de 400 mortos, saques, destruição de empresas e instituições públicas.
O lÃder do MDM garantiu que o partido está a avançar com queixas-crime contra os agentes da PRM responsáveis pela intervenção de domingo, assumindo que os membros do partido estavam apenas a realizar “uma marcha de saudação à celebração” do aniversário da Gorongosa.
“Nós não podemos estar a dialogar ao nÃvel das lideranças, tendo os nossos membros a serem intimidados, perseguidos e ameaçados”, afirmou Simango, exigindo a responsabilização criminal neste processo.
“Se isso não acontecer, já estamos a minar o processo do diálogo polÃtico nacional inclusivo”, concluiu Simango.
Já o porta-voz da PRM em Sofala explicou que a corporação recebeu uma denúncia popular sobre a realização de passeatas na via pública, pelo MDM, de pessoas que se deslocaram da Beira, capital da provÃncia, para impedir as celebrações oficiais, e que além disso não comunicaram a ação à s autoridades locais e administrativas, levando à intervenção policial.
“Cabia-nos, obviamente, repor a ordem pública e não deixar que indivÃduos de forma premeditada pudessem causar desordem naquele distrito”, referiu o porta-voz da polÃcia em Sofala.
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