
Lisboa, 31 ago 2021 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, considerou hoje “um mau inÃcio de conversa” as medidas orçamentais anunciadas por António Costa para combater a precariedade, criticando a apresentação como definitivas de “matérias que sabe que a esquerda não pode aceitar”.
“Nós estaremos sempre a conversar e a ver soluções, mas, como eu repito sempre, as negociações fazem-se à mesa”, respondeu Catarina Martins aos jornalistas, à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa, quando questionada sobre se já há reuniões marcadas com o Governo para esta semana para a negociação do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022).
Interrogada sobre as medidas anunciadas pelo lÃder do PS e primeiro-ministro, António Costa, no congresso socialista do passado fim de semana, a lÃder do BE referiu que “a recuperação do paÃs e o investimento tem de ter alguma consequência nos salários, nas condições concretas de vida das pessoas”, motivo pelo qual “as condições do trabalho são tão importantes”.
“É por isso que dizer à s pessoas, principalmente à s gerações mais jovens e precárias, que elas estão condenadas ao ‘outsourcing’ ou a vincular com uma empresa de trabalho temporário, é dizer que haverá sempre um intermediário que vai ficar com o salário delas e que estão completamente desprotegidas, portanto é um mau inÃcio de conversa”, criticou.
De acordo com Catarina Martins, “nas propostas do Governo não há um inÃcio de conversa sobre esta reivindicação tão simples que é que as pessoas tenham direito a um contrato com a entidade para a qual verdadeiramente trabalham”.
“Julgo que [António Costa] apresentar como definitivas matérias que sabe que a esquerda não pode aceitar porque significam a precarização contÃnua de várias gerações não é uma solução para recuperação do paÃs e o que nós queremos é soluções para recuperação do paÃs. Um bom inÃcio de conversa é nós reconhecermos que gerações qualificadas têm de ter direito a contratos qualificados”, defendeu.
Perante a insistência dos jornalistas para saber a data das reuniões sobre o OE2022, a lÃder do BE afirmou que têm “vindo sempre a conversar”.
“Já me reuni muitas vezes com o primeiro-ministro, sim. A propósito de muitos assuntos, incluindo o orçamento”, respondeu.
A lÃder bloquista reiterou a “muita disponibilidade” para negociar, mas mantendo as preocupações sobre “a saúde, a transparência, o sistema financeiro”.
“E esta condição básica: pensões dignas e acesso à reforma para quem trabalhou toda uma vida, descongelamentos para quem tem salários congelados há décadas e que os trabalhadores precários, que não têm nenhum vÃnculo, possam ter direitos de trabalho como qualquer outro trabalhador”, apontou.
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