Líder do BE diz que demissão de ministra da Administração Interna era “a única saída”

Lisboa, 10 fev 2026 (Lusa) — O coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, considerou hoje que a demissão da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, era “a única saída”, mas alertou que o país “exige mudanças” e não apenas saídas de cargos.

“A demissão da MAI era a única saída. Entre a falta de prevenção e o erro na resposta, o Governo falhou no seu dever mais básico: proteger o nosso povo”, sustentou o coordenador do BE, numa publicação nas redes sociais.

Pureza salientou que “milhares de famílias pagaram o preço da incompetência e do abandono” e alertou ainda que “o país exige mudanças, não apenas demissões”.

Esta manhã, na Assembleia da República, o coordenador nacional do BE já tinha defendido a saída de Maria Lúcia Amaral do cargo.

“Se Luís Montenegro aplicasse ao seu Governo as críticas que o PSD fez a governos anteriores, haveria no Conselho de Ministros mais cadeiras vazias do que cadeiras preenchidas. Está na altura de isso ser levado a sério”, considerou.

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, pediu a demissão e o Presidente da República aceitou-a, segundo uma nota oficial divulgada hoje à noite.

O comunicado explicita que será o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que “assumirá transitoriamente as respetivas competências”, logo que a exoneração se torne efetiva.

Esta é a primeira demissão do XXV Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro, pouco mais de oito meses depois da sua posse, a 05 de junho de 2025.

A demissão da ministra da Administração Interna aconteceu na véspera do debate quinzenal no parlamento na quarta-feira, que deverá ficar marcado pela atuação do Governo na resposta às consequências do mau tempo que causou 15 mortes em Portugal nas últimas duas semanas.

Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá pela primeira vez na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem precisamente a demissão da ministra da Administração Interna.

Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

 

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