
Teerão, 02 jan 2026 (Lusa) – Um conselheiro do lÃder supremo do Irão avisou hoje o Presidente norte-americano para “ter cuidado” depois de Donald Trump ter garantido que os Estados Unidos irão ajudar os manifestantes iranianos caso sejam atacados pelas autoridades.
“Trump deveria saber que qualquer interferência neste assunto interno irá desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses norte-americanos”, escreveu, nas redes sociais, Ali Larijani, que é também secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão.
“Ele deveria ter cuidado com os seus soldados”, acrescentou Larijani.
As declarações do conselheiro do lÃder supremo do Irão foram feitas em resposta a uma mensagem do Presidente norte-americano, que afirmou, hoje de manhã, que os Estados Unidos vão defender os “manifestantes pacÃficos” caso o Irão dispare mortalmente sobre cidadãos que protestam devido ao custo de vida no paÃs.
“Se o Irão atirar em manifestantes pacÃficos e os matar violentamente, como costuma fazer, os Estados Unidos da América irão em seu auxÃlio”, escreveu Donald Trump.
“Estamos prontos, armados e preparados para intervir”, acrescentou.
Na quinta-feira registaram-se as primeiras mortes desde o inÃcio dos protestos contra o alto custo de vida no paÃs, que já duram há seis dias.
Estes protestos são os maiores no Irão desde 2022, quando a morte de uma jovem chamada Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial, desencadeou manifestações por todo o paÃs.
A contestação ainda não se espalhou por todo o paÃs, embora esteja a alargar-se, nem é tão intensa como a que rodeou a morte de Amini, que foi detida por não usar o seu ‘hijab’, ou véu islâmico, da forma que as autoridades consideravam adequada.
O Governo civil do Irão, sob o comando do Presidente reformista, Masoud Pezeshkian, tem tentado sinalizar que quer negociar com os manifestantes, mas já reconheceu que pouco pode fazer.
A moeda iraniana, o rial, desvalorizou rapidamente, com 1 dólar a custar agora cerca de 1,4 milhões de riais devido, sobretudo, às consequências das sanções económicas impostas pelos EUA e pela ONU devido à manutenção do programa nuclear do Irão.
Embora tenham origem na economia, os protestos incluÃram também manifestantes a gritar contra a teocracia iraniana.
O Irão tem afirmado que já não está a enriquecer urânio em nenhum local do paÃs, tentando sinalizar ao Ocidente que continua aberto a possÃveis negociações sobre o seu programa nuclear, mas a situação continua suspensa e as tensões têm-se agravado.
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