
Praia, 02 out 2026 (Lusa) — O presidente do Movimento para a Democracia (MpD, oposição em Cabo Verde), Paulo Veiga, pediu hoje ao Governo que reative o mecanismo aplicado pelo anterior executivo para limitar as subidas de combustíveis.
O dirigente propôs “alargar imediatamente o mecanismo aplicado ao gás, à gasolina, ao gasóleo, aos combustíveis da pesca e aos usados na produção de eletricidade, com limites às subidas mensais”.
“É a medida que o Governo do MpD aplicou entre abril e junho e pode ser financiada com receita adicional de impostos que o Estado está a arrecadar com a subida dos preços”, acrescentou.
Paulo Veiga falava numa conferência de imprensa sobre os primeiros 100 dias de governação do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), sob liderança de Francisco Carvalho, primeiro-ministro.
O presidente do MpD referiu que, em abril, o Governo de então “limitou as subidas dos combustíveis, com o Estado a assumir cerca de 70% do aumento. Era uma medida válida até 30 de junho”.
“Em 02 de julho, o novo Governo decidiu não a renovar. As consequências estão à vista. Desde junho, a gasolina subiu 21%, o gasóleo 39%, o gasóleo da pesca 61% e o gasóleo usado para produzir eletricidade 78%”, detalhou, citando dados da entidade reguladora.
Paulo Veiga referiu que o atual Governo decidiu absorver 70% do aumento do gás de cozinha.
“O Governo decidiu para o gás, e fez bem. E decidiu não o fazer para a gasolina e gasóleo: é uma escolha” que, segundo Paulo Veiga, o Governo “devia assumir, em vez de atribuir [a subida de preços] ao mercado”.
“O Governo deixou cair [a medida] em julho e descobre agora, em outubro, que ela fazia falta”, acrescentou.
O Governo anunciou na quinta-feira que está “a trabalhar” numa forma de estabilizar os preços dos combustíveis, depois de um aumento de 12% da gasolina e do gasóleo, em outubro, em linha com os mercados internacionais.
Em Cabo Verde, a gasolina passou hoje a custar 197,2 escudos (1,79 euros) e o gasóleo subiu para 190,3 escudos (1,73 euros).
São os preços mais altos, pelo menos, desde janeiro de 2024, e é também o maior incremento mensal no período, em linha com o que se passa no resto do mundo.
O preço do gás de cozinha subiu 5,7% para 1.868 escudos (16,96 euros) e escapa a um aumento maior por estarem em vigor medidas de mitigação.
Analisando ainda outros temas, Paulo Veiga classificou os 100 dias de governação como uma “profunda desorganização” e “ausência de soluções para as famílias da ilha do Fogo”, sem energia, “para pescadores, taxistas e agricultores” e “para os bravenses que continuam à espera do seu navio” para ligações àquela ilha.
O primeiro-ministro Francisco Carvalho tem marcada para segunda-feira uma conferência de imprensa para fazer o balanço dos primeiros 100 dias de governação.
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