
Taipé, 10 jun 2026 (Lusa) — A lÃder do principal partido da oposição taiwanês apelou aos EUA e à China para não tratarem a ilha como um “peão”, após Donald Trump sugerir que as vendas de armas a Taipé poderiam ser negociadas com Pequim.
“Taiwan nunca poderá tornar-se ou ser reduzida a um peão negociado à mesa pelas grandes potências”, afirmou Cheng Li-wun, presidente do Kuomintang (KMT), em entrevista ao Financial Times, antes de uma visita a Washington para reuniões com responsáveis e legisladores norte-americanos.
As declarações surgem semanas depois da cimeira entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim, durante a qual o chefe de Estado norte-americano descreveu as vendas de armas a Taiwan como uma “boa ficha de negociação” com a China.
Cheng, considerada uma potencial candidata às presidenciais taiwanesas de 2028 e que assumiu a liderança do KMT em novembro, encontra-se nos Estados Unidos durante duas semanas numa tentativa de reforçar o apoio de Washington ao partido.
O KMT, atualmente na oposição, defende uma polÃtica de maior aproximação a Pequim do que a seguida pelo Presidente taiwanês, William Lai, o que tem gerado reservas entre responsáveis norte-americanos.
Questionada sobre a principal mensagem que pretende transmitir em Washington, Cheng respondeu: “Paz”.
A dirigente defendeu a retoma do diálogo entre Taipé e Pequim, argumentando que a ausência de contactos oficiais na última década contribuiu para o agravamento das tensões entre os dois lados do estreito de Taiwan.
“Não houve diálogo, por isso é possÃvel ver que a situação está quase à beira da guerra”, afirmou, acrescentando que muitos taiwaneses receiam que a ilha se transforme na “próxima Ucrânia”.
Cheng considerou que o papel dos Estados Unidos na preservação da estabilidade regional é “indispensável” e manifestou a esperança de que Washington assuma uma função ainda mais ativa na promoção da paz no leste asiático e no estreito de Taiwan.
Em abril, a lÃder do KMT tornou-se a primeira dirigente do partido a visitar a China e a reunir-se com Xi Jinping em dez anos.
A aproximação a Pequim tem suscitado crÃticas em Washington, onde alguns responsáveis receiam que o reforço dos contactos possa enfraquecer a capacidade de dissuasão de Taiwan face à crescente pressão militar chinesa.
Cheng rejeitou essa interpretação, sustentando que a melhoria das relações através do estreito não implica abandonar a defesa da ilha.
“Melhorar as relações entre os dois lados do estreito não significa que Taiwan vá desistir da sua própria capacidade de dissuasão”, afirmou.
A dirigente procurou também responder à s crÃticas de legisladores norte-americanos sobre a decisão da oposição de reduzir de 40 para 25 mil milhões de dólares (35 para 21,6 mil milhões de euros) o orçamento extraordinário de defesa proposto pelo Governo de William Lai.
Segundo Cheng, o KMT não se opõe ao financiamento de veÃculos aéreos não tripulados (“drones”) ou à modernização militar, atribuindo a controvérsia a disputas polÃticas internas.
Questionada sobre Xi Jinping, a lÃder do KMT afirmou que o dirigente chinês demonstrou “enorme boa vontade” durante o encontro de abril, o que interpretou como um sinal de que Pequim pretende procurar uma solução pacÃfica para a questão de Taiwan.
Pequim considera Taiwan parte integrante do território chinês e não exclui o recurso à força para alcançar a “reunificação”, enquanto o Governo de Taipé rejeita as reivindicações de soberania da China e defende que apenas os 23 milhões de habitantes da ilha podem decidir o seu futuro.
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