Líder da moçambicana Renamo poderá deixar partido este ano

Manica, Moçambique, 27 mar 2026 (Lusa) — A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciou hoje a realização, neste semestre, do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda este ano.

“O líder da Renamo deixou claro que não iria candidatar-se à presidência do partido, contudo, deixou claro que não pode abandonar o cargo sem que se realize o congresso para evitar que a situação interna de conflitualidade se agrave”, lê-se numa nota daquela formação política, divulgada hoje.

A Renamo realizou, entre quinta-feira e hoje, a Reunião dos Generais e Oficiais em Chimoio, capital provincial de Manica, no centro de Moçambique, na qual deliberou sobre a realização do Conselho Nacional ao longo do primeiro semestre, um encontro que poderá marcar a data para o Congresso Extraordinário ou Ordinário visando “encontrar um novo líder que irá conduzir os destinos do partido”.

“Caso o Conselho Nacional decida pela realização do Congresso Extraordinário, [o] presidente Ossufo Momade poderá deixar o cargo ainda este ano”, refere o partido, sem avançar datas.

No encontro dos generais, declarou-se também a abertura “imediata e incondicional” das delegações políticas do partido encerradas por ex-guerrilheiros em algumas províncias do país, para permitir o “funcionamento efetivo da máquina partidária”.

“As delegações políticas que encerram não são do Ossufo Momade, elas devem funcionar para que o partido possa organizar-se. Como vão organizar o Congresso com delegações fechadas”, questionou o presidente da Renamo, citado na nota.

Na apelidada “Declaração de Chimoio”, a Renamo decidiu também, entre outros, pela realização da reunião de quadros, identificação e aceleração das pensões dos desmobilizados, preparação das próximas eleições, além de apelar para a união entre os membros em prol do partido.

Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.

Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.

“Isto não começou com Ossufo Momade, nem com o próprio presidente Afonso Dhlakama [1953-2018]”, disse o líder partidário, referindo que a Renamo continuou ativa, apesar dos conflitos internos ao longo dos anos.

Em 2018 sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.

Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo.

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