
Rangum, Myanmar, 11 jan 2024 (Lusa) — O lÃder da junta militar no poder em Myanmar (antiga Birmânia) recebeu o enviado da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), anunciou hoje a imprensa estatal, numa altura em que o paÃs vive uma espiral de violência.
O chefe do Exército, general Min Aung Hlaing, reuniu-se com Alounkeo Kittikhoun, enviado especial da ASEAN, na quarta-feira em Naypyidaw, a capital construÃda pela junta militar no interior da selva birmanesa.
Os dois dirigentes discutiram os “esforços do Governo para garantir a paz e a estabilidade”, informou o jornal estatal The New Global Light of Myanmar.
O golpe militar de 01 de fevereiro de 2021 mergulhou Myanmar numa profunda crise polÃtica, social e económica e abriu uma espiral de violência com novas milÃcias civis que exacerbaram a guerra de guerrilha, que o paÃs já vivia há décadas.
Uma coligação de grupos armados étnicos lançou uma ofensiva no norte do paÃs em outubro, tendo conseguido tomar várias posições militares e controlar áreas do estado de Kachin, junto à fronteira com a China.
O encontro de quarta-feira antecedeu a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN, que se realiza no final do mês no Laos, paÃs que este ano detém a presidência da organização.
Até agora, a ASEAN não conseguiu fazer progressos substanciais na resolução do conflito em Myanmar.
Um plano de paz de cinco pontos acordado há três anos não passou do papel, embora a Indonésia, que detinha a presidência, tenha saudado conversações “positivas” com as principais partes do conflito em novembro.
A junta de Myanmar foi representada por “interlocutores”, de acordo com um comunicado divulgado na altura, uma vez que os lÃderes do regime militar estão excluÃdos das reuniões de alto nÃvel da ASEAN.
Os atritos entre os membros da ASEAN pioraram no ano passado, após a decisão do então Governo tailandês de se reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros da junta, Than Shwe.
O Camboja enviou um jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros para o encontro, enquanto a China, que há muito apoia a junta militar, enviou Deng Xijun, o enviado especial chinês para os assuntos asiáticos.
A Indonésia e a Malásia, entre os mais duros crÃticos da junta militar no seio da ASEAN, protestaram veementemente, e Singapura disse que era prematuro envolver-se com o regime de Myanmar a um nÃvel tão elevado.
Pelo menos 4.331 pessoas, incluindo ativistas pró-democracia e civis, morreram devido à repressão da junta militar, enquanto outras 19.911 foram detidas por razões polÃticas desde o golpe, segundo dados da organização não-governamental birmanesa Associação para a Assistência de Presos PolÃticos.
A ativista e prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi foi conselheira de estado de Myanmar de 2016 até 2021, quando foi deposta pelo golpe militar. Suu Kyi está presa desde que os militares assumiram o poder e cumpre atualmente uma pena de 27 anos.
Myanmar tornou-se independente do Reino Unido em 04 de janeiro de 1948, mas desde então tem sofrido conflitos étnicos e esteve sob regime militar durante a maior parte de história recente, entre 1962 e 2011 e desde 2021.
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