
Peso da Régua, Vila Real, 15 jul 2023 (Lusa) — O presidente da Iniciativa Liberal (IL) criticou hoje Rui Rio por “colocar a justiça em causa” e disse que gostava de ver os partidos “mais claros” em relação à s suas práticas e menos a atacar a justiça.
“Obviamente eu não quero uma justiça instrumentalizada pelo Ministério Público (MP), mas também não fico satisfeito quando vejo polÃticos a colocarem a justiça em causa da maneira que foi feito ontem (sexta-feira)”, afirmou o lÃder da IL, no Peso da Régua, referindo-se à entrevista dada pelo ex-presidente do PSD à SIC.
Rui Rio acusou o MP de se “intrometer politicamente” ao ordenar buscas, esta quarta-feira, à sua residência e sede nacional do PSD, e insistiu na necessidade urgente de uma reforma da justiça.
“Porque imediatamente o que é feito depois de um discurso daqueles de Rui Rio é o aproveitamento já por pessoas ligadas ao PS para desvalorizarem todas as situações que têm acontecido”, afirmou Rui Rocha, que disse que prefere pensar que “a justiça funciona bem”.
Quanto à reforma da justiça de Rio, o lÃder da IL referiu que o que se conhece é, por exemplo, uma “tentativa de politizar os conselhos superiores de magistratura”, e frisou que defende uma “justiça independente” e “não a politização da justiça”.
Na quarta-feira, a PolÃcia Judiciária (PJ) mobilizou cerca de 100 inspetores e peritos para buscas na casa do ex-presidente do PSD Rui Rio e na sede nacional do partido, por suspeitas dos crimes de peculato e abuso de poderes.
Em causa está a utilização de verbas destinadas ao pagamento de assessores parlamentares para pagar a funcionários do partido entre 2018 e 2022.
“Há uma coisa, todavia, em que Rui Rio pode ter alguma razão, que é, pelos comentários que fui ouvindo ao longo destes dias, parece tratar-se de uma prática corrente em diferentes partidos”, salientou.
Acrescentou: “Parece ser uma prática antiga, de partidos velhos e portanto, eu olho para isto e parece-me que, se é verdade que Rui Rio e o PSD estão a ser investigados por algum tipo de práticas desta natureza, se calhar há outros partidos que também o fizeram e ainda não ouvi ninguém negar”.
“Eu posso garantir que a IL, pela sua parte, relativamente a verbas recebidas da Assembleia da República (AR), essas verbas são usadas para trabalho em benefÃcio do trabalho da AR e, portanto, eu preferiria ver os partidos mais claros relativamente à s suas práticas e menos a atacar a justiça porque acho que não vem daà vantagem nenhuma para a polÃtica em Portugal”, sublinhou.
Questionado sobre se é necessário um esclarecimento da lei de financiamento dos partido, Rui Rocha disse considerar que a “lei atual é suficientemente clara”.
“A interpretação da lei é clara, é que as verbas recebidas da AR devem ser utilizadas para pagar trabalho feito para a AR. Portanto, por aÃ, parece-me que não há grande questão a discutir. Se outros e aparentemente começa a haver várias vozes que dizem que há praticas comuns antigas, recorrentes, noutro sentido, pois são esses que têm que justificar”.
Rui Rocha considerou que o discurso inflamado e muito assertivo de Rio “é um bocadinho deslocado” e que o ex-lÃder do PSD “foi sempre muito mais proficiente na oposição aos meios de comunicação social e ao MP” do que a António Costa e ao Governo PS.
O presidente do Iniciativa Liberal termina hoje um périplo de dois dias no distrito de Vila Real, no âmbito da iniciativa Rota Liberal.
PLI // SF
Lusa/Fim



