
Ponta Delgada, Açores, 10 nov 2022 (Lusa) — O presidente da Associação Sindical dos JuÃzes Portugueses, Manuel Soares, defendeu hoje que é preciso “combater todas as formas de desvirtuamento da justiça”, para que as instituições não fiquem ao serviço do “populismo justicialista”.
“Com o mesmo vigor com que exigimos regras mais eficazes para o combate à corrupção, temos de ser capazes de combater todas as formas de desvirtuamento de justiça, que queiram transformá-la numa entidade qualquer militante ao serviço do populismo justicialista”, declarou.
O lÃder da Associação Sindical dos JuÃzes falava hoje no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, na sessão de abertura da sexta edição das Jornadas Açorianas de Direito.
Manuel Soares reforçou que a justiça “não pode atuar a reboque” daqueles que “veem um corrupto em cada esquina do poder polÃtico”.
“Numa democracia saudável, a eficácia do combate à corrupção é essencial, mas igualmente essencial é que esse combate seja justo e se faça no rigoroso cumprimento do Estado de Direito”, avisou.
O representante dos juÃzes portugueses alertou que as polÃticas de combate à corrupção devem abranger todos os setores da sociedade e não apenas o poder polÃtico.
“Não podemos ter, nem temos, uma visão moralista sobre a necessidade de polÃticas anticorrupção direcionadas para a classe polÃtica. Como se do lado da justiça fosse tudo puro, e, do outro lado, da polÃtica e dos negócios, fosse tudo injurioso”, afirmou.
E prosseguiu: “Se há verdade dolorosa com que fomos confrontados recentemente é que também pode haver corrupção na justiça. E talvez pior ainda é que os órgãos que deviam cuidar disso com mais apego não parecem, à s vezes, muito interessados em fazê-lo”.
Manuel Soares criticou o Conselho Superior de Magistratura que “demorou mais de um ano a aprovar um regulamento mal feito” e que “não previa sequer a fiscalização das declarações” dos juÃzes.
O presidente da Associação Sindical dos JuÃzes Portugueses defendeu ainda que é “normal, saudável e legÃtimo” os juÃzes terem intervenção pública, rejeitando que tal signifique uma “violação do principio da separação de poderes”.
“Descansem, pois, os saudosistas do tempo em que os juÃzes não levantavam a cabeça dos processos e estavam ausentes do espaço público de discussão”, vincou.
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