
Frankfurt, Alemanha, 12 jan 2022 (Lusa) – O lÃder da Agência Internacional de Energia acusou hoje Moscovo de agravar a crise do gás natural na Europa, alegando que preços altos e baixos nÃveis de armazenamento derivam em grande parte do comportamento do fornecedor estatal de gás Gazprom.
A Rússia poderia enviar até um terço mais de gás através dos gasodutos existentes, afirmou Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), indicado que isso corresponderia aproximadamente à quantidade que as autoridades do setor dizem que seria necessária para evitar uma escassez severa em caso de temperaturas mais baixas do que o esperado.
“Em termos de gás europeu (…) acreditamos que há fortes elementos de aperto no mercado europeu devido ao comportamento da Rússia”, disse Birol, numa conferência de imprensa ‘online’, acrescentando que “a Gazprom reduziu as suas exportações para a Europa em 25%”, no quarto trimestre, em comparação com o mesmo perÃodo do ano anterior, “apesar dos preços elevados”, acrescentou.
O Presidente russo, Vladimir Putin, tem defendido que a Gazprom cumpriu as suas obrigações nos contratos a longo prazo, alegando que os preços mais elevados se devem às decisões europeias nesta matéria.
“Também assinalo que os baixos fluxos de gás russo para a Europa de hoje coincidem com o aumento da tensão geopolÃtica sobre a Ucrânia. Queria apenas destacar essa coincidência”, afirmou Birol, questionado pelos jornalistas sobre se a Rússia está a usar a questão do gás para pressionar politicamente os paÃses da Europa Ocidental.
A Ucrânia e a NATO denunciaram nos últimos meses a concentração de um grande número de tropas russas perto da fronteira ucraniana, considerando tratar-se do prelúdio de uma invasão.
Os paÃses ocidentais receiam uma possÃvel invasão russa do território ucraniano, como a de 2014, que culminou com a anexação da penÃnsula da Crimeia.
A Rússia pretende ainda que seja autorizado pela Europa o funcionamento do gasoduto Nord Stream 2 o mais rapidamente possÃvel, deixando de ser necessário que o transporte se faça através da Ucrânia, até agora a porta de entrada do gás russo na Europa.
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