
Paris, 30 abr 2026 (Lusa) – A liberdade de imprensa global está no nÃvel mais baixo dos últimos 25 anos, em particular devido à criminalização do jornalismo, anunciou hoje a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com Portugal a cair dois lugares para 10.º.
Na classificação dos RSF para 2026, a organização assinala que a pontuação média dos 180 paÃses analisados nunca foi tão baixa neste último quarto de século.
No caso de Portugal, em termos comparativos, desceu dois lugares, passando do 8.º para o 10.º, com a classificação de “satisfatório” (83,71 em 100).
No topo da lista, mais um ano, está a Noruega, o único paÃs a obter uma classificação de “excelente” (92,72 em 100), seguida dos PaÃses Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia.
Menos de 1% da população mundial goza do que os RSF consideram ser uma situação “boa” de liberdade de imprensa, quando em 2002 era de 20%. No extremo oposto, 52,2% dos paÃses encontram-se numa posição “difÃcil” ou “muito difÃcil”.
A lista é encerrada por Arábia Saudita (176.º lugar), Irão (177.º), China (178.º), Coreia do Norte (179.º) e Eritreia (180.º). Entre os regimes mais fechados à imprensa está também a Rússia (172.º), “especialista no uso de leis contra o terrorismo, o separatismo ou o extremismo” para restringir a margem de manobra.
A maior queda em 2026 é protagonizada pelo NÃger (37 posições de uma só vez, para o 120.º lugar), que exemplifica assim a deterioração da liberdade de imprensa que se verifica há anos na região do Sahel, devido aos ataques que tem vindo a sofrer por parte de diferentes grupos armados e das juntas militares no poder.
No outro extremo, a queda do regime ditatorial de Bashar al-Assad na SÃria permitiu-lhe subir da 177.ª para a 144.ª posição.
Grande parte dos paÃses latino-americanos piorou a posição no ranking, em particular o Equador, que, num contexto de forte recrudescimento da criminalidade organizada, sofreu uma queda de 31 posições e ficou em 125.º lugar, após os assassÃnios dos jornalistas Darwin Baque e Patricio Aguilar.
Também o Peru foi marcado no último ano pelo assassÃnio de quatro jornalistas e desceu 14 posições, para o 144.º lugar.
A organização RSF fez recuar em força na tabela a Argentina (11 posições, para o 98.º) e El Salvador (oito, para o 143.º) devido à ação dos lÃderes, Javier Miley e Nayib Bukele, respetivamente, na linha do Presidente norte-americano, Donald Trump, com hostilidade e pressões sobre a imprensa.
Três paÃses latino-americanos continuam na cauda do ranking mundial da liberdade de imprensa, apesar de terem subido algumas posições: a Venezuela (159.º, contra 160.º) devido à incerteza sobre as garantias para a imprensa, apesar das libertações de jornalistas no inÃcio de 2026; Cuba (160.º, contra 165.º), onde “a crise profunda obriga os poucos jornalistas independentes a operar cada vez mais na clandestinidade” e a Nicarágua, relegada para o 168.º lugar (antes 172.º), num “panorama mediático em ruÃnas, caracterizado por uma repressão sistemática”.
A Colômbia destaca-se da tendência geral da região, com um avanço de 13 posições, mas até um 102.º lugar pouco meritório.
No que diz respeito ao Brasil, o paÃs subiu na classificação, de 63.º em 2025 para 52.º este ano.
CAD // SB
Lusa/Fim



