
Lisboa, 18 jan 2022 (Lusa) — O fundador do Livre Rui Tavares afirmou hoje que o partido vai convidar PS, BE, PCP e PAN para reuniões logo após o dia 30, acreditando que se houver uma maioria de esquerda esta “terá de se entender”.
“Creio que no próximo dia 30, após o conhecimento dos resultados eleitorais, uma das primeiras ações do Livre vai ser convidar para reuniões não só PS mas também PCP, BE e PAN”, referiu Rui Tavares, que falava aos jornalistas depois de ter estado reunido com a Plataforma das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) esta manhã, em Lisboa.
Confiante numa eleição de um grupo parlamentar nas eleições legislativas antecipadas, o dirigente do Livre, que tem defendido uma convergência à esquerda e até uma ‘eco-geringonça’, considerou que sempre foi uma “má ideia” que cada partido à esquerda, na solução governativa da ‘geringonça’ reunisse com PS “e apenas com o PS”.
“Porque nós temos que reforçar o arco dos partidos que possam apoiar uma maioria parlamentar e que tenham objetivos comuns na área social, na proteção laboral, na proteção ambiental antes de ir falar com o maior partido à esquerda que tem o direito, se a esquerda tiver maioria, de designar o seu nomeado para primeiro-ministro”, sustentou.
Para Rui Tavares não vale a pena “criar tabus nem fantasmas à volta de algo que é muito simples: os portugueses e as portuguesas decidirão quais são as maiorias”.
“Se houver uma maioria à esquerda a esquerda terá de conversar, terá de se entender e vai entender-se certamente, não vale a pena estarmos a pressionar as pessoas”, defendeu.
Questionado sobre se vai acumular o mandato de vereador sem pelouros na Câmara Municipal de Lisboa e o de deputado na Assembleia da República se for eleito, Rui Tavares disse que vai cumprir com ambos os mandatos.
“É compatÃvel, a lei diz-nos que é compatÃvel e permite essa acumulação precisamente porque ela é positiva (…) O trabalho de um vereador sem pelouro é um trabalho que não é a tempo inteiro, não tem vencimento, e portanto, é desempenhado com base no apoio de um equipa do Livre que nós temos na Camâra e portanto é possÃvel fazê-lo e vai ser bem feito”, aditou.
Tavares mostrou-se confiante com os resultados do Livre nas sondagens, apontando que o partido tem neste momento em jogo “a eleição de dois deputados por Lisboa, a acreditar nas sondagens, e de um deputado no Porto que na verdade está em disputa entre a direita, o PSD e o Livre”.
“E depois com a progressão das sondagens, não com as sondagens que já temos, mas ainda temos 12 dias até à s eleições, aà podem estar em disputa deputados noutros cÃrculos como Setúbal, Braga, Aveiro ou Faro”, disse.
Interrogado sobre se o eleitorado “já esqueceu” o que aconteceu com Joacine Katar Moreira em 2019 — que foi eleita pelo Livre e meses depois o partido retirou-lhe a confiança polÃtica — Tavares disse que o Livre “não varre os seus problemas para debaixo do tapete” e apontou que um partido “credibiliza-se falando das coisas que interessam à s pessoas, não se credibiliza falando o tempo todo acerca de credibilidade”.
Rui Tavares foi ainda confrontado com um ‘tweet’ recente de Katar Moreira, no qual a deputada não inscrita aponta que o dirigente “tem de parar de cansar e enganar os militantes do Livre, os simpatizantes, amigos e o paÃs e entrar logo no PS, onde tem os melhores amigos e a mãe grande” e que “é com PS que se coliga desde sempre curvado”.
Recusando entrar em polémicas, Tavares respondeu que é um dos fundadores do Livre e sempre defendeu a existência em Portugal de um partido “como os partidos verdes europeus”.
“E é por isso que sempre recusei outros convites, outras oportunidades, e quando não estiver a fazer polÃtica no Livre estou certamente perto daqui na Torre do Tombo a mexer em papéis velhos e a fazer investigação histórica”, acrescentou, numa referência à sua formação como historiador.
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