
Toulouse, 14 jun 2022 (Lusa) — O lÃder da coligação de esquerda francesa NUPES, Jean-Luc Mélenchon, defendeu hoje que a segunda volta das eleições legislativas, marcadas para domingo no paÃs, é um “referendo entre o neoliberalismo de Macron e a solidariedade da NUPES”.
“Estas pessoas vivem num mundo que nunca mais existirá: o neoliberalismo entrou em falência! As suas receitas já não podem ser aplicadas, é um regime perigoso, porque é incapaz de corrigir os erros que comete porque, quando comete erros, enriquece com esses erros”, declarou Jean-Luc Mélenchon.
O lÃder da esquerda discursava na sala Jean Mermoz, em Toulouse, naquele que foi o seu primeiro comÃcio desde a primeira volta das eleições legislativas, onde a Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), que lidera, obteve 25,66% dos votos, a apenas 21.441 votos da coligação do Presidente atual Emmanuel Macron.
Numa sala repleta, com várias centenas de pessoas sentadas e de pé, nos corredores laterais, Mélenchon defendeu que Macron “despreza” os seus apoiantes, abordando a deslocação de dois dias que o Presidente francês iniciou hoje à Roménia e à Moldávia.
“Quando o barco começa a afundar, o senhor Macron apanha o avião. (…) Está a desprezar-nos! Eles já tinham planeado esta viagem há muito! [Macron] deve ter pensado ‘estas eleições legislativas, são só uma formalidade administrativa'”, salientou.
Com um pano roxo com dois V de vitória no fundo — o sÃmbolo da coligação de esquerda –, Mélenchon deixou duras crÃticas ao Presidente, designadamente no que se refere ao combate à s alterações climáticas e no combate à pandemia e à s consequências económicas que acarretou, acusando-o de ser como as pessoas que, quando não sabem o que fazer, “carregam em todos os botões a ver se resulta”.
De blazer preto e gravata vermelha, Mélenchon reconheceu que a coligação que lidera pode “não ser perfeita” e, em certas alturas, pode ter dificuldades em “lidar com a tensão enorme dos acontecimentos” inesperados.
“Mas temos uma direção, sabemos para onde vamos, e sabemos o que é mais precioso: não, não são as mercadorias. O mais precioso é o ser humano! São as nossas crianças e os nossos mais velhos! É isso que conta, e o resto, logo se verá”, gritou, perante uma ovação da plateia, e algumas pessoas a levantarem-se de pé.
Mélenchon afirmou que a polÃtica que a NUPES defende “consiste em relançar a economia com todos os meios disponÃveis, nomeadamente ao aumentar o poder de compra”, propondo, para tal, o aumento do salário mÃnimo nacional para 1500 euros, que “arrastaria o resto dos salários”, e a reforma aos 60 anos, que “libertaria 830 mil empregos”.
“Os que vos propõem outra coisa além de relançar [a economia] condenam o nosso paÃs à asfixia. É por isso que [a segunda volta das eleições legislativas] é um referendo entre os neoliberais de Macron e os solidários da NUPES”, exclamou.
Abordando ainda a coligação da NUPES — que permitiu juntar várias forças de esquerda, ultrapassando divergências históricas entre vários partidos de esquerda, como o Partido Socialista francês e a França Insubmissa –, Mélenchon afirmou que se trata de um “acordo histórico”.
“É a primeira vez na história da nossa famÃlia que, na primeira volta, nós apresentámos candidatos comuns, é a primeira vez que concordámos num programa comum, que tem 650 medidas! É enorme!”, afirmou.
O lÃder da esquerda defendeu que, com um programa com 650 medidas comuns, a coligação já não é simplesmente “eleitoral”, mas envia uma mensagem à sociedade que a esquerda “está junta” e pronta a “carregar o mundo”.
“A estabilidade polÃtica depende da estabilidade programática e nós temos estabilidade programática. A desordem, o caos, está com eles [coligação presidencial]. (…) Não permitam que essas pessoas fiquem com a mão no pavio, o nosso paÃs ficaria esfarrapado! Nós, e nós apenas, é que somos capazes” de o levar adiante, exclamou Jean-Luc Mélenchon.
No departamento de Haute-Garonne, onde se situa a cidade de Toulouse, os candidatos da NUPES conseguiram qualificar-se para a segunda volta nos 10 cÃrculos eleitorais em disputa, com quatro candidatos com uma vantagem de 10 pontos percentuais de distância relativamente aos candidatos da coligação presidencial, colocando-os em boa posição para serem eleitos.
Neste departamento tradicionalmente de esquerda — foi aqui que nasceu o histórico socialista Jean-Jaurès –, o sucesso eleitoral dos candidatos da NUPES constituiu uma reviravolta relativamente à s eleições legislativas de 2017.
Na altura, nove dos 10 cÃrculos eleitorais tinham sido conquistados pelos candidatos do partido ‘République en Marche!’, do Presidente, Emmanuel Macron.
Nas últimas eleições presidenciais, Jean-Luc Mélenchon tinha organizado em Toulouse o seu último comÃcio antes da primeira volta das eleições legislativas, tendo depois ficado em primeiro lugar na cidade, à frente de Macron, com 36,95% dos votos.
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