
Berlim, 10 set 2026 (Lusa) — A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, considerou hoje que a subida de 25 pontos base nas taxas diretoras é “robusta contra três cenários”.
“Mais uma vez, estamos a elaborar um cenário favorável, um cenário desfavorável e um cenário grave […] e olha-se predominantemente para o que é um grande motivo de choque, que é o preço da energia”, explicou Lagarde na conferência de imprensa em Berlim.
Lagarde disse que estas previsões resultam de cenários produzidos através de situações hipotéticas.
“Face aos três cenários, a nossa decisão de aumentar as taxas de juro em 25 pontos base é robusta nos três casos”, acrescentou a presidente do BCE.
O Conselho do BCE decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base, visto que “o conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas e a inflação deverá continuar bem acima da meta por um perÃodo prolongado”.
Os economistas do BCE mantiveram as previsões para a inflação este ano, que deverá atingir os 3,0%, e reviram em alta o crescimento económico em 0,1 pontos percentuais, para 0,9%.
No caso da inflação, a estimativa é que este ano atinja os 3,0%, passando para os 2,3% no próximo ano e 2,1% em 2028, maioritariamente devido ao impacto dos custos da energia.
Nesse sentido, Lagarde abordou o impacto do preço da energia nos alimentos, que ainda é limitado.
“Os efeitos indiretos estão contidos e não estamos a ver os efeitos secundários, mas se [o choque energético prolongado] continuar, vai impactar os preços dos alimentos”, disse.
Lagarde voltou a insistir que as decisões do BCE são tomadas reunião a reunião e com base nos dados.
Por agora, no entanto, há “um nÃvel de incerteza” que “não permite antecipar qual será o próximo movimento”.
Lagarde destacou ainda que a inflação continuará longe do objetivo dos 2% durante mais tempo, mas num nÃvel mais baixo.
“Acreditamos que a inflação vai prolongar-se mais que antecipávamos, por isso temos estes dois fenómenos”: uma inflação mais baixa decorrente de uma resiliência mais alta e uma economia mais ajustada, mas mais prolongada.
Com a decisão de hoje, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,50%, 2,65% e 2,90%, com efeitos a partir de 16 de setembro de 2026.
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