
Moscovo, 06 jul 2026 (Lusa) — O Kremlin defendeu hoje o teste de um mÃssil, sem carga nuclear, realizado pela China, principal aliado de Moscovo, no oceano PacÃfico, e criticado por vários paÃses da região.
“É um direito soberano da China testar os seus mÃsseis (…). A China não ameaça ninguém no mundo”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em resposta a uma pergunta da AFP, durante a conferência de imprensa diária.
A Austrália classificou o lançamento como “desestabilizador para a região”, por ter ocorrido poucas horas depois da assinatura de um importante tratado de defesa entre a Austrália e as ilhas Fiji.
Peskov garantiu ainda que os exercÃcios navais anuais iniciados hoje pelas marinhas chinesa e russa, ao largo de Qingdao, importante porto militar e estância balnear no leste da China, não representam uma ameaça para “qualquer Estado da região”.
A China realizou hoje um teste com um mÃssil balÃstico estratégico lançado de um submarino nuclear para águas do PacÃfico, numa operação que Pequim classificou como rotineira, mas que motivou crÃticas do Japão, Austrália e Nova Zelândia.
O mÃssil, equipado com uma ogiva simulada de treino, foi lançado à s 12:01 locais (05:01 em Lisboa) e atingiu com precisão a zona marÃtima prevista, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.
Segundo a agência estatal, o ensaio integrou o plano anual de treino das Forças Armadas chinesas, foi previamente comunicado aos paÃses relevantes e “não está dirigido contra nenhum paÃs nem alvo especÃfico”, acrescentando que decorreu em conformidade com o direito e as práticas internacionais.
A Xinhua indicou apenas que o lançamento foi efetuado por um submarino nuclear estratégico da Marinha do Exército de Libertação Popular para “águas internacionais relevantes” do PacÃfico, sem revelar o tipo de mÃssil, a classe do submarino ou o local exato do impacto.
Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, trata-se do primeiro teste conhecido de um mÃssil lançado de um submarino chinês desde 1982 e do primeiro realizado a partir de um submarino de propulsão nuclear.
O ensaio ocorre ainda após o agravamento das relações entre Pequim e Tóquio, marcado por novas restrições chinesas à exportação de produtos de dupla utilização para entidades japonesas e por protestos do Japão devido à presença de navios chineses junto da ilha de Yonaguni, a cerca de 150 quilómetros de Taiwan.
O teste coincide ainda com os preparativos para novos exercÃcios navais conjuntos entre a China e a Rússia, previstos para decorrer este mês em águas e espaço aéreo chineses, seguidos de patrulhas marÃtimas conjuntas em zonas do PacÃfico.
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