Kosovo propõe-se reduzir tensões entre sérvios e albaneses no norte do país

Belgrado, 12 jul 2023 (Lusa) – O Governo do Kosovo anunciou hoje que nas próximas semanas vai tentar atenuar as tensões no norte do país onde se concentra a minoria sérvia. 

Os sérvios do Kosovo protestam desde maio contra os autarcas da maioria albanesa eleitos numas eleições locais que foram boicotadas pela minoria sérvia da zona e contra a forte presença da polícia especial kosovar no norte do país.

Em comunicado, o Governo do Kosovo compromete-se a adotar medidas que podem agravar a situação, reduzir a 25% a atual presença policial juntos dos edifícios administrativos e das autarquias dos quatro municípios do norte. 

Depois da adoção da medida, a situação será analisada conjuntamente com a missão da NATO (KFOR) e com a missão policial europeia (EULEX), no sentido de uma maior redução das forças especiais kosovares. 

O executivo do primeiro-ministro Albin Kurto diz ainda que apoia a realização de novas eleições locais depois do verão. 

A antiga província sérvia do Kosovo, de maioria albanesa, proclamou a independência em 2008 mas a Sérvia não reconhece o país.

O diferendo entre Belgrado e Pristina está a ser mediado pela União Europeia e Estados Unidos. 

As tensões entre os dois países agravaram-se em finais de maio, registando-se violentos confrontos entre manifestantes sérvios e forças da KFOR que provocaram ferimentos a mais de 80 pessoas, 30 das quais soldados internacionais. 

Perante as reticências de Pristina no sentido de aliviar as tensões, a União Europeia congelou certos fundos europeus para o Kosovo. 

Em Belgrado, o Presidente da Sérvia, Aleksandr Vucic, disse hoje que solicitou uma reunião com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, para pedir proteção para a população sérvia no Kosovo, que, disse, se sente cada vez mais discriminada e intimidada por parte de Pristina. 

Belgrado acusou na semana passada o Executivo do Kosovo de praticar políticas de “limpeza étnica” contra a minoria sérvia no país e de manter as tensões no norte do território.

 

 

PSP // APN

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