Kiev contesta alegação de Elon Musk de que forças armadas violaram termos da Starlink

Kiev, 26 out 2026 (Lusa) – As autoridades ucranianas contestaram as alegações do diretor executivo da SpaceX, Elon Musk, de que as suas forças armadas violaram os termos de serviço da Starlink ao utilizarem a rede civil de internet por satélite para ataques com drones.

O conselheiro de tecnologia de defesa do presidente Volodymyr Zelensky, Serhii Beskrestnov, afirmou que as restrições de longa data impostas ao sistema civil na Ucrânia tornavam impossível tal utilização ofensiva.

“É muito estranho que Elon Musk não tenha conhecimento das restrições à operação da Starlink na Ucrânia”, escreveu numa publicação ‘online’.

O Starlink da SpaceX e o seu serviço Starshield, destinado a fins militares, são essenciais para a conectividade da Ucrânia em tempo de guerra. No início deste mês, os drones ucranianos ligados ao Starshield perderam a conectividade a altas velocidades, o que perturbou as defesas aéreas durante os ataques aéreos diários da Rússia.

As autoridades ucranianas afirmaram que os chamados limites de velocidade foram levantados no sábado e que o serviço foi restabelecido.

Ainda assim, persistem dúvidas sobre quem ordenou as interrupções no sistema de internet por satélite de que Kiev tem dependido há anos para combater os ataques de Moscovo.

Musk reconheceu no sábado que a SpaceX tinha limitado a velocidade do Starlink na Ucrânia.

“A utilização do Starlink, um serviço comercial civil, para ataques ofensivos com drones com o objetivo de matar pessoas nunca foi permitida, nem deveria ser”, escreveu Musk, informando que “as forças armadas ucranianas violaram os termos de serviço do Starlink e utilizaram-no para ataques ofensivos com drones com o objetivo de matar pessoas” e que “essa lacuna foi colmatada na semana passada”.

No entanto, sustentou que o governo dos EUA controlava quaisquer alterações que ocorressem no Starshield, a versão de nível militar do Starlink que constitui a espinha dorsal das operações com drones e das comunicações da Ucrânia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem afirmado que não tomou essa decisão, enquanto o vice-presidente JD Vance deu a entender que houve coordenação entre a Casa Branca e Musk.

As restrições impostas na semana passada ao Starshield alarmaram os militares ucranianos e os responsáveis governamentais, tendo os comandantes relatado a perda de drones e a interrupção de missões.

Estas medidas agravaram as tensões entre Kiev e Washington, uma relação já tensa devido ao suposto acordo de Trump com Moscovo para importar gasóleo da Rússia, que a Ucrânia considerou uma traição.

O restabelecimento do serviço Starlink, noticiada no sábado, seguiu-se a um novo esforço diplomático dos EUA para pôr fim à guerra. A Rússia concordou, na quarta-feira, retomar as negociações tripartidas com Washington e Kiev no próximo mês.

Na sexta-feira, Kiev e Moscovo também chegaram a acordo sobre um cessar-fogo localizado, mediado pela primeira-dama Melania Trump, em torno de Oleshky, uma cidade devastada pela guerra e ocupada pela Rússia na região de Kherson, no sul da Ucrânia.

Entretanto, Zelensky afirmou hoje que a Rússia tinha lançado cerca de 2.300 drones contra cidades ucranianas na semana passada, renovando o seu apelo aos aliados ocidentais para que acelerassem as entregas de intercetores.

“Só esta semana, a Rússia lançou cerca de 1.600 bombas guiadas, 48 mísseis de vários tipos, incluindo mísseis balísticos, e quase 2.300 drones de ataque contra a Ucrânia”, escreveu Zelensky numa publicação online.

O presidente ucraniano afirmou ainda que os ataques – muitos deles mortíferos – afetaram nove regiões do país, causando danos em centrais elétricas, armazéns de cereais, habitações civis e instalações comerciais.

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