
Tóquio, 09 abr 2023 (Lusa) – O novo governador do Banco do Japão (BOJ) tomou hoje posse e, no final deste mês, vai decidir se a instituição mantém uma polÃtica geral de flexibilização, que inclui taxas de juro negativas.
Kazuo Ueda, que tem um mandato de cinco anos, é o primeiro governador do banco central japonês desde 1945 oriundo do mundo académico e não polÃtico.
No final deste mês, o banco central japonês vai realizar a primeira reunião sobre polÃtica monetária sob a liderança de Ueda, para decidir se mantém a estratégia de estÃmulo, em vigor há uma década, para conseguir atingir uma taxa de inflação anual estável de 2%.
O Ãndice de preços no consumidor (IPC) no Japão situou-se em 2,3% em 2022, principalmente devido a fatores externos, como preços mais elevados da energia e das matérias-primas, no maior crescimento registado em oito anos e acima do objetivo do BoJ.
O antigo governador do BOJ desde 2013 Haruhiko Kuroda lamentou que a instituição não tivesse conseguido atingir uma inflação sustentada de 2%, durante o seu mandato.
Na última conferência de imprensa, enquanto governador do BOJ, na sexta-feira, Kuroda salientou que estas polÃticas de flexibilização em grande escala combinadas com medidas governamentais “tiveram um efeito positivo nos preços e na economia, e puseram fim à deflação no Japão, no sentido de uma descida prolongada dos preços entre 1998 e 2012”.
O BOJ é o único banco central entre as principais economias mundiais a manter taxas de juro de referência ultra baixas, uma estratégia que conduziu a efeitos colaterais como uma forte desvalorização do iene face ao dólar, ao euro e a outras moedas.
Outro impacto negativo das polÃticas do BOJ é a crescente dÃvida pública do Japão, que, juntamente com a pressão do mercado sobre os preços das obrigações governamentais, está a forçar o banco a repensar o rumo a curto prazo.
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