
Roma, 02 nov 2026 (Lusa) – A justiça italiana reabriu a investigação ao homicídio do escritor e cineasta Pier Paolo Pasolini, ocorrido há 51 anos, para tentar esclarecer as circunstâncias do crime e identificar outros eventuais envolvidos, anunciou hoje o advogado que requereu a reabertura.
O advogado Stefano Maccioni, que há vários anos reclama uma nova investigação, declarou à AFP esperar que a reabertura das investigações “possa pôr um ponto final a esta história”.
“Apelo àqueles que sabem alguma coisa e que não tiveram coragem de falar para que o façam agora”, acrescentou o advogado, que no passado representou um primo de Pasolini, e que representa atualmente a Ordem dos Jornalistas da região italiana do Lácio, assim como um cineasta e um escritor, não identificados pela AFP.
Pier Paolo Pasolini, um dos mais destacados intelectuais italianos de esquerda, foi encontrado morto numa praia nos arredores de Roma, no dia 02 de novembro de 1975, aos 53 anos. O escritor e cineasta tinha sido violentamente espancado e atropelado por um automóvel Alfa Romeo GT, não tendo sido possível determinar se o veículo utilizado no crime era o seu.
No mesmo dia, Giuseppe “Pino” Pelosi, um jovem de 17 anos que se prostituía, foi detido ao volante do automóvel de Pasolini.
Giuseppe Pelosi assumiu a autoria do crime, alegando que tinha agido em legítima defesa, depois de o realizador ter tentado violá-lo.
Condenado a uma pena de prisão, da qual cumpriu quase dez anos, o jovem alterou a sua versão dos acontecimentos em 2005, afirmando que Pasolini tinha sido assassinado por três homens não identificados, que falavam com sotaque siciliano.
Segundo o advogado Stefano Maccioni, análises de ADN revelaram indícios da presença de outras pessoas no local do crime, pelo que apelou aos investigadores para que reúnam os elementos necessários ao cabal esclarecimento do homicídio.
As circunstâncias da morte de Pier Paolo Pasolini continuam a suscitar dúvidas e, ao longo das últimas cinco décadas, surgiram várias teorias sobre os motivos do homicídio, nomeadamente a possibilidade de chantagem ou de um crime encomendado pela extrema-direita ou pela máfia.
Conhecido pelas suas posições políticas e pela natureza provocadora da sua obra, Pasolini criticou os valores da sociedade burguesa, a censura da Igreja Católica e o avanço do neofascismo, abordando frequentemente nas suas obras a violência, a marginalidade e as desigualdades sociais.
O seu último filme, “Salò ou os 120 Dias de Sodoma”, estreado após a sua morte, constitui uma crítica ao fascismo italiano e provocou grande controvérsia pela representação explícita da violência e dos abusos sexuais.
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