JUSTIÇA ESPANHOLA COMEÇA A JULGAR EX-CHEFE DA POLÍCIA REGIONAL DA CATALUNHA

LusaMadrid, 20 jan 2020 (Lusa) – O ex-chefe da polícia regional da Catalunha e outros três responsáveis das forças de segurança catalãs começaram hoje a ser julgados em Madrid, acusados de rebelião e sedição pelo seu envolvimento na tentativa separatista de 2017.

O julgamento tem lugar após várias semanas de calma na Catalunha e depois de, em Madrid, o novo chefe do Governo socialista, Pedro Sánchez, ter assegurado que vai tentar resolver o conflito regional através de conversações políticas, em vez de ações legais contra os separatistas.

O Ministério Público pediu que o ex-chefe da polícia regional, os Mossos d´Esquadra, Josep Lluis Trapero, seja condenado a 11 anos de prisão pela sua alegada cumplicidade com as autoridades regionais independentistas da altura na tentativa fracassada de independência liderada pelo ex-presidente regional catalão, Carles Puigdemont, e pelo seu adjunto, Oriol Junqueras.

Puigdemont, agora membro do Parlamento Europeu, fugiu da Espanha para a Bélgica após a tentativa independentista, com a Justiça espanhola a tentar que regresse para ser julgado.

Junqueras e outros oito políticos e ativistas catalães estão a cumprir penas de prisão de até 13 anos desde outubro passado, quando terminou o seu julgamento.

No julgamento que começou hoje, também são acusados de rebelião, e arriscam-se a ser condenados a 11 anos de prisão, o ex-secretária regional do Interior (Administração Interma) Cesar Puig e o ex-diretor da polícia regional Pere Soler, enquanto a ex-responsável da polícia regional Teresa Laplana é acusada de sedição, podendo ter de cumprir uma pena de quatro anos de prisão.

O julgamento deverá prolongar-se pelos próximos dois meses e vários políticos catalães que estão na prisão devem ser chamados para testemunhar.

O tribunal vai examinar o papel dos Mossos d’Esquadra em 2017, ano em que os pró-independentistas no poder na Catalunha realizaram um referendo sobre a autodeterminação da região, que foi proibido pelos tribunais, antes de proclamarem em vão uma república catalã independente.

A Justiça acusa a polícia regional de “passividade total” na prevenção deste referendo, com os acusados a ter de se defender destas acusações.

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