
La Paz, 28 dez 2024 (Lusa) — A justiça da BolÃvia voltou a convocar o ex-presidente Evo Morales para comparecer num tribunal no sul do paÃs, em 14 de janeiro de 2025, pelo crime de tráfico de pessoas agravado.
“Para apreciação do pedido de aplicação de medidas cautelares pessoais (…) está marcada uma audiência pública presencial para terça-feira, 14 de janeiro, à s 09:30 [13:30 em Lisboa]”, disse um tribunal da região de Tarija.
De acordo com o aviso judicial, citado pelo jornal ‘Correo del Sur’, durante a audiência o juiz deverá decidir se Morales irá aguardar pelo julgamento em liberdade ou em prisão preventiva.
O antigo presidente não compareceu a uma convocatória anterior, para testemunhar num processo em que é acusado de ter mantido um alegado relacionamento com uma adolescente durante o seu mandato.
Morales não sai do Trópico de Cochabamba desde outubro, o seu reduto no centro do paÃs, onde é protegido por centenas de plantadores de coca, que constituem a sua base sindical e polÃtica.
Em 17 de dezembro, o ex-presidente, alvo de um mandado de detenção desde 16 de outubro, afirmou na rede social X ser “vÃtima de uma guerra jurÃdica” conduzida pelo Governo do rival polÃtico Luis Arce.
No dia anterior, a procuradora de Tarija, Sandra Gutiérrez, tinha apresentado uma “acusação formal” contra Morales e a mãe da alegada vÃtima por tráfico de seres humanos, cuja investigação já havia sido tornada pública em setembro.
O processo indica ainda que os pais da alegada vÃtima, com quem Morales terá tido um filho, lucraram com a menor, entregando-a ao ex-presidente em troca de favores.
A Procuradoria-Geral confirmou não foi possÃvel executar o mandado de captura contra Morales por várias razões, incluindo os bloqueios de estradas durante 24 dias por apoiantes do antigo presidente, especialmente no centro do paÃs.
O polÃtico tem ainda, contra si, sete queixas de alegados abusos de menores na região de Cochabamba.
Em novembro, foi aberta também na Argentina uma investigação criminal contra o antigo Presidente boliviano por alegado tráfico de seres humanos e abuso sexual.
Morales viveu na Argentina durante um ano após a crise social e polÃtica de 2019, durante a qual se demitiu da presidência, declarando-se vÃtima de um alegado golpe de Estado devido a alegações de fraude eleitoral a seu favor nas eleições desse ano.
As investigações e acusações contra Morales surgem em plena luta polÃtica com o atual Presidente boliviano Luis Arce, seu antigo aliado, pelo controlo do Partido Movimento para o Socialismo, no poder, e pela decisão sobre a candidatura do partido à s eleições presidenciais de agosto de 2025.
VQ (JYFR) // VQ
Lusa/Fim



