
DÃli, 10 jun 2021 (Lusa) — O julgamento do ex-padre acusado de abuso de crianças em Timor-Leste foi hoje novamente adiado, marcado agora para julho, devido a problemas técnicos no sistema de videoconferência que estava a ser usado para a ligação ao Tribunal de Oecusse.
“O pedido de adiamento veio da defesa, mas o Ministério Público também concordou porque o sistema de videoconferência estava com problemas devido à qualidade da internet e do som”, disse à Lusa o oficial de justiça do Tribunal de Oecusse.
“A defesa [que estava em DÃli] não conseguia ouvir bem o depoimento da vÃtima e por isso pediu o adiamento. O coletivo de juÃzes decidiu adiar o caso para 05 de julho, mas já com audiência presencial”, referiu.
O sistema de videoconferência começou a ser usado na quarta-feira para o depoimento do arguido, que falou a partir do Tribunal de Recurso, em DÃli, tendo ficado já marcado por alguns problemas técnicos.
Richard Daschbach prestou declarações durante cerca de três horas, durante a tarde, na sala principal do Tribunal de Recurso, depois de problemas técnicos terem impedido o depoimento previsto durante a manhã.
O recurso à videoconferência foi necessário depois do arguido e da defesa não terem viajado para Oecusse a tempo das audiências marcadas, com advogados de Daschbach a criticarem as regras em vigor no enclave que obrigam a quarentena de 14 dias mesmo a quem apresente testes negativos à covid-19.
Procuradores, juÃzes e as representantes das vÃtimas viajaram para o enclave cumprindo as regras em vigor.
Maria Agnes Berre, da JU,S JurÃdico Social, a organização que representa as alegadas vÃtimas, lamentou um novo adiamento.
“Os representantes das vÃtimas não estão satisfeitos com mais um adiamento. Sempre a pedido do arguido. Mais uma vez demonstra-se a posição inferior e discriminatória das vÃtimas”, afirmou à Lusa.
“Nunca existirá justiça real em Timor-Leste quando não houver uma reforma séria de como as mulheres vÃtimas são tratadas por todos no sistema judiciário”, sustentou.
Richard Daschbach, 84 anos, está a ser julgado pelos crimes de abuso de menores, pornografia infantil e violência doméstica alegadamente cometidos durante anos no orfanato Topu Honis, em Oecusse.
Daschbach foi expulso da congregação da Sociedade do Verbo Divino (SVD) em Timor-Leste e do sacerdócio pelo Vaticano pelo “cometido e admitido abuso de menores”, com a decisão a basear-se numa detalhada investigação, incluindo a sua confissão oral e escrita.
Sucessivos adiamentos desde o inicio do julgamento, em fevereiro, implicam que até agora ainda só foi possÃvel ouvir a declaração inicial do arguido.
Â
ASP//MIM
Â
Lusa/Fim



