Juíza acusa ex-presidente da região de Valência de negligência nas inundações de 2024

Madrid, 24 fev 2026 (Lusa) – A juíza responsável pela investigação sobre a atuação das autoridades nas cheias que mataram mais de 230 pessoas em Espanha em outubro de 2024 pediu hoje que o ex-presidente da Comunidade Valenciana seja acusado de negligência.

Alvo de críticas desde a tragédia, Carlos Mazón, membro do Partido Popular (PP, direita), foi forçado a demitir-se em novembro de 2025, reconhecendo ter havido erros na resposta às inundações.

A magistrada do tribunal de Catarroja considerou haver indícios de que o ex-presidente demonstrou “negligência absoluta na coordenação e gestão” das cheias, segundo um comunicado do Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana, para onde foi transferido o caso.

Ao contrário do tribunal de Catarroja, o Tribunal Superior pode processar Carlos Mazón, protegido pelo seu estatuto de autoridade regional eleita.

O ex-presidente da comunidade autónoma espanhola enfrentou duras críticas pela forma como lidou com a resposta à emergência de 29 de outubro de 2024, quando inundações devastadoras atingiram a região de Valência e partes da Andaluzia, fazendo mais de 230 mortos.

Nesse dia, almoçou durante várias horas com um jornalista num restaurante de Valência, não havendo informações precisas sobre o resto da agenda desse dia.

O governo regional, responsável pela gestão de emergências devido ao sistema descentralizado em Espanha, demorou horas a enviar uma mensagem de alerta para os telemóveis dos residentes, avisando-os do perigo.

“Esta inação na implementação de medidas de coordenação, a falta de interação com as autoridades regionais por parte do presidente, que, perante uma situação extremamente grave, optou por se refugiar na sala privada de um restaurante (…), deve ser considerada negligente e constitui um fator decisivo no número de mortos”, afirmou a juíza no seu relatório, segundo um comunicado de imprensa.

A indignação das famílias das vítimas foi particularmente evidente durante os funerais de Estado realizados um ano após a tragédia, no final de 2025, ocasião em que Carlos Mazón foi insultado e chamado de assassino.

Mazón anunciou a sua demissão a 03 de novembro de 2025, reconhecendo erros na gestão da crise, pedindo perdão às famílias das vítimas mortais e afirmando que a região necessitava de um “novo tempo” para se reconstruir. O político alegou na mesma ocasião que já não tinha forças para liderar a região.

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